ORIXÁS
A África é um berço cultural e social que alimentou o mundo inteiro com sua riqueza, mas todos sabemos dos anos e mais anos que este continente sofreu com a dura mão da escravidão e do preconceito, quando todo o mundo, então cristão julgava a África como o inferno na Terra propriamente dito.
Essa visão de que este continente não tinha a benção de Deus, e que todos que lá nasciam e viviam comungavam dessa “energia”demoníaca, colaborou com a escravização, gerando inclusive a benção deste ato pelo órgão máximo da religião católica.
Como já estudamos, a cultura africana é vastíssima, inclusive religiosamente, esse fato fez com que com a vinda de escravos parao Brasil e demais países americanos construíssem uma grande miscigenação, um grande sincretismo de culturas que resultou em diversas religiões, pois, seus corpos haviam sido aprisionados, porém, sua crença, essa jamais poderiam apreender.
A escravização não foi algo que aconteceu apenas no Brasil e os escravos africanos foram enviados para diversos países, e em todos eles continuaram seus cultos, e assim deram origem a diversas novas religiões, como o Candomblé no Brasil. Hait oi Voodu, Venezuela a Maria Lionça, México a Santeria Trinindad-Tobago o Obea, Caribe o Palo e nos Estados Unidos o Hoodo.
Com o convívio dos negros nas viagens e nas senzalas, foram obrigados e se comunicar, aprender os costumes uns dos outros, para sobrevivência.
Esse convívio fez com que pessoas de tribos diferentes se relacionassem e aprendessem seus rituais, culturas e crenças, e dessa forma diferente do que acontecia em seu continente natal, agora começa a se formatar uma estrutura de culto a vários Orixás,e não somente o da região de cada um, assim formatando a base do culto ao Candomblé.
Como sabemos nas senzalas os negros escravos não tinham a possibilidade de cultuar suas divindades, por isso, cultuavam secretamente, assim como a capoeira, e esse também é o motivo de se chamar Candomblé, pois a tradução do Yoruba é simplesmente “festa” logo os senhores das fazendas acreditavam que o que estava acontecendo era uma festa, quando na verdade era um culto as suas divindades, a seus Orixás.
O candomblé hoje em dia já tem um culto e uma cultura formatada, que diverge de muitas coisas em comparação com a Umbanda, iniciando-se pela gira.
No candomblé não se possui relação com espíritos e somente com os Orixás, já na umbanda possuímos relação com espíritos, como os caboclos, pretos velhos, exus, etc., mas também temos a relação com os Orixás.
Na umbanda as pessoas que vem assistir ao culto passam com os guias para conversar e tomar passes energéticos, tem a sua consulta com os guias, já no candomblé, por apenas ter relação com Orixás, isso não acontece, pois os Orixás manifestados não falam, dessa forma os filhos que precisarem de consulta precisam marcar um horário com o Babalorixá da casa, esse então vai usar de técnicas, como o jogo de búzios .
A QUESTÃO DA ORALIDADE NA TRADIÇÃO YORUBÁ AFRICANA
Como todas as outras religiões ancestrais, a Religião Yorubá Africana, não se baseia em escritos em seu início, mas diferente também das outras, não precisou de escritos para a sua manutenção. Judaismo e Cristianismo, contaram com escritos póstumos aos seus fundadores, escritos por seguidores e vários anos depois do ocorrido .
Os fundamentos da religião Yorubá , que nos legou o culto aos Orixás através dos escravizados em nossa terra, era transmitido e mantido de sacerdote para sacerdote, em um grupo restrito e escolhido .
O Corpus Literário de Ifá (ou Odu Corpus) é o fundamento das práticas divinatórias iorubá.
O Corpus tem sido mantido e transmitido pelos babaláwo, sacerdotes de Ifá-Orunmilá, e sempre através da oralidade,de babalaô para babalaô. Exclusivamente oral, o Corpus é um “discurso privativo”, apenas os escolhidos formam o grupo habilitado a nele penetrar.
ODU = Caminho fundamental transmitido pelos Orixás através dos Búzios
IFÉ = Casa da abundância, local de expansão, ou a primeira cidade construída pelos Orixas,situada a sudoeste da Nigéria
Conteúdo esotérico por natureza – os Odus, suas histórias, seus ebós,seus ewos (quizilas ou proibições) – essa palavra passa para o domínioexotérico/social quando da consulta ao sistema divinatório.
Ou seja, os enunciados não são de conhecimento geral, mas constituem-se no discurso privado dos babalaôs; são revelados durante o contexto de aprendizado da formação de um babalaô (12 a 16 anos de formação específica); passam para conhecimento exotérico ou mais generalizado durante a consulta aos oráculos, e, mesmo assim, apenas na medida em que o babalaô desejar revelá-lo: um consulente pode ser informado apenas de qual ebó ou procedimento ritual deverá adotar, sem qualquer tipo de informação sobre o conteúdo específico do Odu obtido na consulta.
A IMPORTÂNCIA DA ANCESTRALIDADE
O tempo na visão Yorubá Africana, é uma linha contínua, onde os ancestrais ( passado ) se fazem ativos no tempo atual ( presente ) e lançarão fundamentos para as próximas gerações ( futuro ) . As gerações passadas não estão perdidas para o tempo presente. A geração futura se prepara no presente com o conhecimento ancestral .
Muito equivale ao pensamento hindu, quando Krishna ensina a Arruda no Bagavad Gita: "Não existiu passado em que não existimos, nem futuro em que deixaremos de existir."
Acredita-se que os ancestrais, ou "Egungun", continuam a existir no reino espiritual após a morte física. Eles são vistos como guardiões que guiam e protegem seus descendentes vivos, fornecendo sabedoria e influência em suas vidas. O povo iorubá honra seus ancestrais por meio de diversos rituais, oferecendo orações e mantendo altares ancestrais em suas casas. O festival anual Egungun é um evento importante no qual os ancestrais são homenageados coletivamente. Os ancestrais são respeitados não apenas por suas contribuições passadas, mas também por sua participação contínua na vida da comunidade. Na visão de mundo iorubá, honrar os ancestrais ajuda a manter a ordem social e espiritual, fortalecer os laços entre os vivos e os mortos e garantir a continuidade e a prosperidade da comunidade. É uma lembrança comovente da crença iorubá na natureza cíclica da existência e na interconexão de todas as gerações.
A ESPIRITUALIDADE IORUBÁ
A espiritualidade Iorubá não é meramente um sistema de crenças, mas um modo de vida. Ela permeia o cotidiano de seus praticantes, moldando normas sociais, influenciando as artes e a cultura e fornecendo uma estrutura para a compreensão do mundo e do lugar de cada um nele. Central a essa prática espiritual é a crença em um panteão de divindades ou Orixás, cada um governando um elemento da natureza ou uma atividade humana.
Esses Orixás personificam uma miríade de experiências humanas, e as relações dinâmicas entre eles refletem a complexidade e a interconexão da própria vida.
A espiritualidade Iorubá também é significativa por seu foco na vida ética, no crescimento pessoal e na harmonia comunitária. Conceitos como “Iwa” (caráter moral) e “Ori” (intuição ou destino) guiam os indivíduos rumo ao aprimoramento pessoal, ao comportamento ético e à realização de seu potencial único.
Parte integrante das tradições iorubás são as elaboradas práticas rituais, que vão desde oferendas diárias a festivais anuais.
Esses rituais, frequentemente envolvendo música, dança e oferendas simbólicas, servem como uma ponte entre os reinos físico e espiritual, proporcionando aos praticantes um meio tangível de se conectar com o divino, buscar orientação ou expressar gratidão.
O Início da Espiritualidade Iorubá
As origens da espiritualidade iorubá são tão antigas quanto o próprio povo iorubá.
Enraizada na reverência aos ancestrais, no culto à natureza e em uma compreensão complexa do destino e do caráter, essa tradição espiritual evoluiu ao longo dos séculos para o rico e diversificado sistema de crenças e rituais que conhecemos hoje.
No centro da espiritualidade iorubá está a crença em uma divindade suprema, Olodumare, que é a fonte de toda a vida e existência. Olodumare é complementado por um panteão de divindades secundárias, ou Orixás, cada uma com seus domínios, personalidades e devotos únicos. Essas divindades não são vistas como entidades distantes e abstratas, mas como seres acessíveis que interagem com os humanos, guiando-os, ensinando-os e, às vezes, até mesmo caminhando entre eles.
O conceito de “Axé” Na espiritualidade iorubá, “Ase” ou “Ashe” é um conceito fundamental que pode ser traduzido livremente como “poder”, “autoridade” ou “comando”. É frequentemente visto como a energia divina que impulsiona o universo e tudo o que nele existe. Ase permeia todos os aspectos da vida e da existência, unindo os reinos físico e espiritual. Essa força vital não está presente apenas em divindades e entidades espirituais, mas também em humanos, animais, plantas e até mesmo objetos inanimados. O conceito ressalta a interconexão de toda a existência e o potencial tanto criativo quanto destrutivo dentro de cada indivíduo. Axé constitui a base de diversos rituais, invocações e bênçãos na espiritualidade iorubá, enfatizando a importância de canalizar e direcionar essa energia de forma positiva e equilibrada.
A CULTURA IORUBÁ NO BRASIL
No Brasil a cultura Yorubá não foi transmitida por um sacerdote.
Foi transmitida inicialmente de escravos para escravos na senzala, uma vez que vieram para cá, escravizados de várias nações e propositadamente foram misturados em grupo, como estratégia do colonizador para evitar rebelião.
Assim cada grupo étnico trouxe seu Orixá e crenças que se misturaram na senzala, criando a base do que viria ser hoje o Candomblé Brasileiro , principal religião nacional, que busca o culto aos Orixás e as raízes essenciais africanas .
OS PRIMEIROS BABALAÔS NO BRASIL
O Brasil possuiu em sua história inúmeros personalidades que preservaram o conhecimento ancestral Yorubá, transmitidos através dos seus ancestrais escravizados .
Gostaria de realçar aqui a figura e história de PAI AGENOR MIRANDA ROCHA.
Embora tenha sido um homem branco, mas de origem angolana, fez um importante trabalho de preservação e divulgação da Cultura Yorubá no Brasil, criou o primeiro registro escrito, de que se tem notícia, dos fundamentos do Jogo de Búzios, escrevendo em um caderno as orientações de sua Mãe de Santo, além de outras obras. Permitiu que vários outros sacerdotes cópias sem seu caderno, gerando toda uma lenda a respeito dos cadernos de Pai Agenor .
Finalmente esse caderno foi editado em 2001, em volume organizado por Reginaldo Prandi .
Nascido em Angola, no dia 8 de setembro de 1907, Agenor Miranda Rocha foi um importante babalorixá do candomblé. Pai Agenor recebeu sua iniciação aos cinco anos, dada por mãe Aninha (1879-1938). Além de adivinho e estudioso da cultura africana, também era professor, cantor e poeta.
LIVRO : CAMINHOS DE ODU - AGENOR MIRANDA ROCHA .
DOCUMENTÁRIO :
A ETERNA INFLUÊNCIA DO MITO
Começamos por uma definição ampla e pouco restritiva: mito é um conjunto de narrativas que falam de deuses e heróis, ou seja, de dois tipos de personagens que as cidades antigas cultuavam.
Como deuses e heróis aparecem principalmente nos momentos fundadores de uma cultura, devemos notar que não se trata de quaisquer narrativas, mas uma narrativa singular onde são abordados os tempos fabulosos do principio de todas as coisas.
Assim, os mitos contam a história dos primórdios, do momento em que algo – o Mundo, o Cosmo, uma planta ou espécie vegetal ou comportamento – começou a existir.
Mito é a descrição de como alguma coisa foi produzida ou começou a ser.
Esse ato original, primeira manifestação de algo, é mais importante do que todas as suas possíveis repetições, porque é o ato realizado pelas “Potências” ou “Seres Primordiais” no “tempo mítico” que é o tempo da origem.
Portanto, mitos são o relato das intervenções do sagrado no mundo.
Para o homo religiosus, é essa irrupção do sagrado que fundamenta e dá forma ao Mundo: a ação das Potências Sobrenaturais cria o Universo, o Cosmo, os homens, animais e plantas.
Mas não só isso; os mitos também detalham como o homem pensa, porque é sexuado, porque trabalha, porque não entende a língua dos animais, etc. O homem é como é porque eventos fundamentais aconteceram na origem dos tempos; o homem contemporâneo é constituído pelos eventos relatados pelos mitos.
O mito é um esforço humano no sentido de encontrar, sob a dinâmica desses encontros, os elementos estáveis que tornam a vida possível de ser organizada e vivida.
O mito descreve o próprio movimento das potências universais e essa é a principal razão pela qual utiliza a linguagem simbólica da poesia, do epigrama, da dança e dos rituais, ao invés da prosa.
A partir do momento, em que essas potências influenciam a vida humana, o mito cumpre o seu papel de explicar os caminhos humanos.
Os mitos contados no Corpus têm como objetivo ilustrar ou fundamentar uma situação, ou ensinamento, ou preceito.
Por exemplo, conta-se que determinado Orixá em determinada situação fez determinado ebó e/ou adotou tal conduta. O objetivo aqui é esclarecer que tipo de ebó e/ou conduta o consulente do oráculo deve adotar e para qual Orixá dirigir as oferendas. Esses ensinamentos não foram “revelados” por emissários divinos, mas sim fruto da observação e manipulação milenar das forças da natureza – que, afinal, são os Orixás. Eis porque o Corpus não se preocupa com homogeneidade de pensamentos e ações; um mesmo Orixá pode, em situações e Odus diferentes, adotar condutas díspares. Eis também porque os mitos não devem ser retirados de seu contexto no Corpus.
No Candomblé brasileiro, o Corpus não foi mantido. Talvez que nenhum babalaô tenha sido escravizado nessas terras, talvez que nenhum babalaô tenha nascido e se formado nessas terras. O caso é que no Brasil não temos nem babalaôs nem a tradição do Corpus em sua completude.
Mas sim, temos mitos, histórias destacadas do seu contexto original e apenas podendo ser interpretadas, o que conduziu a diversos erros graves, sendo o principal deles a descaracterização da verdadeira natureza de alguns Orixás.
Por exemplo: Exu deixou de ser visto como o dono da ordem para ser o senhor da confusão; Obá – por causa do célebre episodio do amalá com orelha – como uma mulher envelhecida e ciumenta; Oxum como uma intrigante ardilosa. E assim vai. A atribuição dessas características aos seus adeptos – no Brasil, “filhos” – gerou confusões do tipo “todos os filhos de Oxum são fofoqueiros e neles não se pode confiar”; “os filhos de Oyá são briguentos”; etc.
Acredito que, mais do que nunca, é necessário retomar os mitos em sua verdadeira natureza, para realmente podermos entender o que são os Orixás.
Pensemos em Nanã Burukê.
A Velha Senhora é dona da lama com a qual Oxalá molda os bonecos que, recebendo o sopro sagrado (emi), adquirem vida. Em algum momento, Nanã pedirá de volta o que é dela, ou seja, a lama. Para ela não importa que essa lama tenha ganhado forma e vida, ela apenas reivindica o que lhe pertence. Por isso, Nanã é vista como sendo a Senhora da Vida e da Morte. Reclusa, distante, temível, feiticeira, velha. Em seu culto não entra metal – os animais a ela sacrificados não podem ser cortados com faca – nem homens: apenas mulheres podem ser suas sacerdotisas.
Na República do Benin, Nanã Buruku é o nome do Ser Supremo, pois na língua Fon nana significa antigo, velho e Buruku é o nome de Deus. Portanto, Nanã Buruku significa Deus Antigo.
A SUPREMACIA DAS DEUSAS
O estudo histórico-antropológico dos mitosrevela que, num primeiro momento da historia humana, a Antiguidade não tinha deuses masculinos; apenas a Grande Deusa era considerada imortal, imutável e onipotente.
Não se sabia qual o papel que o homem representava no contexto da concepção, nem o valor do sêmen. As mulheres eram as rainhas, e os homens seus consortes durante um período de tempo, o ano medido pelas três fases da matriarca: menina/virgem, ninfa/jovem/fértil evelha/infértil/sábia. A Deusa é então vista como sendo Una e Trina.
No inicio do ano, a Rainha casa com seu consorte; no final, ele é morto nas festas do plantio, seu sangue e carne espalhados pelo campo, trazendo fertilidade. A Deusa, a Rainha e a Terra são outra Trindade, são a mesma coisa, nada as separa ou distingue.
O ano era medido pelas três fases da matriarca e também pelas três fases do plantio – semeadura, plenitude e colheita. As representações da Deusa obedecem ao mesmo modelo Uno e Trino: estatuetas ou pinturas de um trio de mulheres de idades diferentes e mãos dadas. Outra Tríade é Deusa da Água, do Ar e do Subterrâneo; da Água Doce, Água Salgada, Água da Chuva; e sucessivamente. Eis porque o número 3 passou a ter um significado espiritual profundo na mente humana.
A partir do momento em que o coito e o sêmen foram considerados fundamentais para a concepção – pensava-se que a mulher engravidava do vento, do sol, de insetos, etc. - os homens começaram a adquirir importância.
Após um período de transição, finalmente os homens subjugam as mulheres e têm inicio o período do patriarcado. Das memórias desse período anterior advém todos os mitos que falam de mulheres terríveis, grandes bruxas ou feiticeiras – como Medeia, a sacerdotisa do Sol que vinga sua honra matando até mesmo os próprios filhos.
Resumindo: o que conhecemos como “mitologias” são histórias geradas, alteradas e recontadas através dos tempos, até encontrar sua forma definitiva.
Suas primeiras versões são tão antigas que remetem ao tempo do matriarcado sobre a terra, quando não havia deuses, mas apenas deusas.
Com o tempo e a evolução histórica e social, surgem os deuses.
AS ORIXÁS MAIS ANTIGAS
As Iya Mi Oxorongá são as nossas mães primeiras,
Raízes primordiais da estirpe humana, são feiticeiras.
São velhas mães-feiticeiras as nossas mães ancestrais.
As Iya Mi são o principio de tudo, do bem e do mal.
São vida e morte ao mesmo tempo, são feiticeiras.
Podemos pensar nesse verso como um compósito: as descrições e atribuições (Mães, raízes primordiais, principio de tudo, vida e morte ao mesmo tempo) são mais antigas (matriarcais); a conclusão “são feiticeiras” é mais recentes e pertence ao período patriarcal. Pois como podemos entender que as Mães Primeiras, as Raízes Primordiais da estirpe humana, o principio de tudo, são feiticeiras? Que ninguém escapa de seu feitiço e de seu ódio?
Na República do Benin, Nanã Buruku é o nome do Ser Supremo, pois na língua Fon nana significa antigo, velho e Buruku é o nome de Deus.
Entre os ewe e os fon da República do Benin, Deus é conhecido como Nanã Buruku (grifo nosso). Adotada pelos egba sob o nome Buruku, ela veio a ser cultuada entre os iorubás como divindade, e não como o Ser Supremo. Eis alguns de seus nomes: Ajapa (Guardiã do monte); Opara (Mãe de Obaluaiê);Ibain (Dona da terra); N’Buruku (A mais velha); Obaiya (A dos pântanos);
Claro que estamos falando de uma das deusas matriarcais, do tempo em que o deus supremo era uma mulher, vinda de um período tão antigo na historia que seu culto se estabeleceu num tempo em que ainda não existia a metalurgia e que os homens eram apenas espectadores da ação litúrgica do feminino e que, num segundo momento, foi incorporada ao panteão patriarcal, com poderes diminuídos.
Ou pensemos em Obá. Guerreira, vestida de vermelho (cor do sangue menstrual), não apenas comanda um exército de mulheres como leva à guerra todas as fêmeas de todas as espécies animais. À frente desse exército, ela vai em pé sobre seu cavalo. Obá é o centro de uma sociedade secreta exclusivamente feminina, a Sociedade Elekô. Em seu culto são aceitos objetos de metal, e ela porta espada e escudo, o que nos permite concluir que seu culto é posterior à metalurgia, portanto não tão antiga quanto Nanã. Com o tempo, sua natureza foi sendo alterada e Obá surge em algumas versões como sendo a esposa mais velha de Xangô, ciumenta da rival mais jovem, Oxum, que a engana e faz com que corte a própria orelha para um feitiço que garanta a atenção do homem que ama. Ou seja: o feminino matriarcal ancestral, temido pelo masculino, precisa ser submetido, tornando-se uma esposa submissa.
Obá se destaca do conjunto das Mães e aceita elementos do patriarcado, como metal em seu culto, mas Oxum se destaca ainda mais: não apenas aceita metal mas também passa a “manifestar-se” em oris masculinos.
Oxum pode ser entendida como a Mediadora entre o universo matriarcal primitivo das Grandes Mães e o universo patriarcal dos Orixás.
Então, Obá deveria aprender com Oxum a ouvir e fazer um sacrifício pessoal de algo seu – o ouvido – para poder plenamente pertencer ao mundo que passou a ser dominado pelo masculino.
Porém, nada mais claro que o mito que narra como Ogum conquistou para os homens o poder das mulheres:
No começo do mundo, eram as mulheres que mandavam na Terra e eram elas que dominavam os homens. (...)
As mulheres tinham o poder e o segredo.
Iansã tinha inventado o mistério da sociedade dos egunguns (...) e os homens estavam sempre submissos ao poder feminino. (...) Finalmente, um dia, os homens resolveram acabar com aquela humilhação de estarem sempre sub-
missos ao poder de suas mulheres. (...) Quando as mulheres chegaram e viram aquele homem forte vestido como um poderoso e armado até os dentes, exibindo aos quatro ventos seu porte de guerreiro, elas saíram a correr (...) num pânico incontrolável. A vista do homem assumindo o poder era terrificante.”
O relato é claríssimo, inclusive quando diz que o poder passou para os homens através da força, quando eles ameaçaram as mulherescom suas armas. Não foi uma transição pacífica!
Mais: as mulheres conduziam os ritos de Baba Egum – hoje, nos ritos da Casa da Amoreira (Ilha de Itaparica, Bahia), hoje as mulheres só podem assistir no fundo da sala, em silencio,pois apenas os homens são sacerdotes de Baba Egum.
Finalizando: os mitos são frutos do tempo em que foram gerados. E sofrem transformações quando os tempos mudam.
A versão a ser considerada por um grupo será aquela que melhor se adaptar ao conjunto de versões que formam o universo religioso do grupo.
Cada grupo irá adotar a versão mítica mais condizente com a totalidade de seu pensamento e desprezar outra. Ou mesmo abandonar completamente alguns mitos, o que significa que Orixás importantes num grupo/culto estão ausentes ou são menores em outros.
SER HUMANO A MAIOR ENCRUZILHADA
ORIXÁS NA VISÃO DA UMBANDA
A Umbanda vê o Orixá , divindades que chegaram ao Brasil através, principalmente, dos escravizados de origem Yorubá, como uma energia que existe na natureza, portanto, uma fagulha de Deus.
Orixá portanto, segundo a Umbanda, é a vontade, uma ação de Deus.
A Umbanda recorre a força dessa magia na natureza para um propósito.
Toda Linha Espiritual, potência da Umbanda é sustentada pela energia de um Orixá .
Na África existem cerca de 256 Orixás.
No Brasil, a Umbanda adotou alguns, que foram sendo fundidos com outros e sincretizados com Santos Católicos.
OXALÁ
Energia primordial - a Fé
A fé é acreditar sem provas
O princípio de tudo, o mais velho.
Orixá do Ori - Cabeça
Chacra Coronário
Glândula Pineal - Apatita
Orixá da cura mental
Qualidades de Oxalá : fé, paz de espírito, calma, ponderação, união, sabedoria, o divino, congregação.
Reflexão : Em que eu creio ?
Cidade : Ilê Ifé - cidade africana onde se cultua os Orixás mais velhos, " Orixás Fun Fun " , Orixás que vestem branco.
Sincretizado com Jesus Cristo , Deus Pai, Senhor do Bonfim
Comemoração: 25/12 ou 01/01
Dia da Semana : Sexta-Feira
Características dos filhos de Oxalá : líderes, caridosos, sonhadores, amorosos, tímidos, inteligentes.
Algumas falanges de espíritos que vibram na energia de Oxalá : Caboclo Pena Branca, Caboclo Toco Branco, Caboclo Flecha Branca, Pai Joaquim de Aruanda, Caboclo do Sol.
Oferenda : louça branca, canjica, arroz doce sem canela em pó, arroz branco sem sal, coco descascado, algodão.
Ervas de Oxalá : Boldo, Alecrim, Rosa Branca, Hortelã
Animais : caramujo, pomba branca
Bebidas : água, água de cocô
Cor : Branco
Elemento : ar
Elementos incompatíveis : álcool, dendê
Pedras : Brilhantes, Cristal, Quartzo
Planeta : Sol
Saudação: Epa babá ( Obrigado Pai, Salve Pai )
Símbolo: Opaxorô
Orixá sustentador de todas as Linhas de Trabalho da Umbanda.
Guias Brancas
Dia da Semana : Sexta-Feira
Cor : Branca
Símbolos : Pomba Branca ou Estrela de Cinco Pontas
Pontos da natureza : Colina, alto de monte ou montanha, praia deserta .
OXUMARÉ
Representado por uma serpente ou um arco-iris.
Simbolizado por um caçador de uma única flecha.
Representado pela força das matas .
Originário da região de Ketu, África, da onde vieram vários escravizados.
Simboliza o início e o fim de um ciclo, o auto-conhecimento, a dualidade do masculino com o feminino.
Ligado á Kundalini na visão hindu, a serpente que vitalidade todos os humanos.
Atribui-se a Oxumaré a consciência da matéria, da carne, do emocional e o artístico.
Reflexão : Como eu me renovo ?
Sincretizado com São Bartolomeu comemorado em 24 de Agosto.
Características dos filhos de Oxumaré : exibicionistas, vaidosos, comunicativos, inclinação para a arte e a cultura.
Elementos : água doce, arco-íris.
Símbolo : Serpente ou Arco Iris
Oferenda : batata doce, mel
Ervas de Oxumarê : Hortelã, Louro, Flores Coloridas, Folhas de batata doce
Flores : flores do campo coloridas
Saudação : Arrobobô Oxumarê (Salve o senhor do Arco Iris)
Cores : Rosa , Azul Claro ou Rosa e Azul
Orixá sustentador da Linha dos Erês juntamente com Oxum
Dia da Semana : Domingo
Ponto da natureza: Queda d'água na cachoeira
Comemoração : 25 de Agosto
OXOSSE
Orixá da caça e do conhecimento.
Ligado a glândula pirituitária .
Qualidades de Oxosse : clareza de objetivos, poder de ação, sede de conhecimentos, expansão, prosperidade.
No plano espiritual, os Caboclos, linha mantida por esse Orixá, trazem o conhecimento ecológico, a sabedoria da floresta, das frutas e folhas, a favor da humanidade.
Reflexão : qual é a minha caça ?
O que é essencial para você ?
Sincretizado com São Sebastião, comemorado dia 20 de Janeiro.
Saudação : Okearô ( Salve o grande caçador)
Oferenda : Diversidade de flores, frutas, folhas e ervas .
Todos os animais são de Oxosse
Os filhos de Oxosse são : inquietos, destemidos, observadores, dispersos .
Orixá originário da Região de Ketu, África.
Elemento : Terra
Orixá sustentador da Linha dos Caboclos
Elementos incompatíveis : cabeça de animal, carne crua, ovos, mel
Ervas de Oxosse : Alecrim, Guiné, Jurema, Mangueira, Samambaia .
Pedras : Amazonita, Turquesa, Esmeralda
Cor : Verde Escuro ou Claro
Símbolo : Arco e Flecha
Dia da Semana : Quinta-Feira
Ponto da Natureza : Florestas, bosques e Matas
Comemoração: 20 de Janeiro
XANGÔ
Um dos Orixás mais populares no Brasil ., sendo uma das primeiras divindades iorubanas a chegar em terras brasileiras com os escravizados .
Em Pernambuco e Alagoas o culto aos Orixás recebe o nome de Xangô.
Representa a decisão, a vontade, a iniciativa, a justiça que não deve ser confundida com vingança.
Seu machado de dois cortes chamado Oxê é o símbolo da justiça, representando que todo fato, tem ao menos duas versões, dois lados, duas versões que devem ser avaliados e pesados.
Animais : Tartaruga, Carneiro
Bebida : Cerveja Preta
Comidas : Amalá, Agebê, Quiabo
Existiu historicamente , Rei Xangô , da Província de Oyo, antigo império Yorubá.
Orixá que guia Egun Guns ( Espíritos de Ancestrais ) para o caminho da evolução, como detentor da justiça divina, dividindo essa missão com Iansã.
Sincretizado com São João Batista, São Pedro, São Jerônimo e São Judas Tadeu .
Representa o equilíbrio entre a razão e a emoção = discernimento .
O propósito da vida é o que é bom para você.
Saudação : Kaô cabecilê ( Venham saudar o Rei )
Orixá sustentador da Linha dos Boiadeiros
Cor : Marron ou Vermelho
Dia da Semana : Quarta- Feira
Símbolo : Machado de dois cortes
Metal : Estanho
Elemento incompatível : caranguejo
Ponto da Natureza : Pedreiras
Ervas de Xangô : Hortelã , Girassol, Quebra Pedra, Urucum
Data de Comemoração: 24 de Junho
OGUM
O despertar de um novo caminho
Qual a realidade que você está criando ?
Quais as minhas batalhas ?
Não é preciso querer é preciso fazer !
Orixá que veio do Irã, África.
Sincretizado com São Jorge
Responsável pela Lei e Ordem
Quem executa a Lei de Ogum : Exu , seu irmão.
Orixá sustentador da Linha Esquerdária de Exu e Malandros
Filhos de Ogum : combativos, esforçados, fiéis, comprometidos e disciplinados.
Animais : Cachorro, Galo
Bebida : Cerveja Branca
Cores : Vermelho ou Azul Escuro
Dia da Semana : Terça-Feira
Ervas : Espada de São Jorge, Manjericão, Arruda
Flores : Cravos, Crista de Galo, Palma Vermelha
Metais : Ferro, Aço, Manganês
Pedras : Granada, Rubi, Lápis Lazuli, Topázio Azul
Ponto na natureza : Estradas, estradas de ferro, meio da encruzilhada
Saudação: Ogum iê Patacuri ( Cabeça coroada )
Símbolo : Espada
Comemoração: 23 de Abril
OBALUAÊ
Vibração jovem de um mesmo Orixá ou força.
Filho de Nanã, irmão de Irmão e Oxumaré.
Tem culto original no Domingo.
Com o rosto e corpo coberto por palhas, para esconder as marcas da varíola ou segundo outras lendas, por que esse Orixá possui o brilho do Sol.
Foi criado por Iemanjá, depois de ter sido abandonado por Nanã, devido a ser feio e coberto de feridas .
Orixá responsável pela evolução dos espiritos, cuja regência divide com Iansã e também pelas almas que ainda não se desprenderam do mundo físico.
Orixá que leva a doença ou traz e responsável pela transformação de ciclos . Com seu "xaxará" afasta as enfermidades trazendo cura .
Sincretizado com São Roque ou São Lázaro .
Sempre depois do caos a evolução.
Ponto de Força : Cruzeiro das AAlmas ou Cemitério
Filhos de Obaluaê : caridosos, acolhedores .
Sustenta a Linha de Trabalho Espiritual dos Pretos Velhos. Linha das Almas
Oferendas : Pipoca, Rosas Brancas
Ervas : Manjericão, Arruda, Canela, Hortelã, Cabelo de Milho
Cores : Bicolor Preto e Branco
Dia da Semana : Segunda-Feira
Animal : Cachorro, galinha de Angola
Comida : Feijão Preto , Carne de Porco,
Saudação : Atotô
Comemoração : 16/08
Elementos incompatíveis : sapo e claridade
Metal : chumbo
Pedras : Olho de Gato, Ônibus
Símbolos : Cruz, Cruzeiro
OMULU
Vibração idosa de um mesmo Orixá ou força.
Sincretizado com São Roque ou São Lázaro .
Orixá que leva a doença ou traz e responsável pela geração de ciclos .
Ponto de Força : Beira do Mar
Sustenta a Linha de Trabalho Espiritual dos Pretos Velhos. Linha das Almas
Oferendas : Pipoca, Rosas Brancas
Ervas : Manjericão, Arruda, Canela, Hortelã, Cabelo de Milho, Alecrim
Cores : Bicolor Preto e Branco
Dia da Semana : Segunda-Feira
Saudação : Atotô
Comemoração : 16/08
A mais jovem das Orixás Femininas.
Senhora das águas doces, dos rios, das águas paradas e não lodosas .
Filha predileta de Oxalá e Iansã .
Foi esposa de Oxosse, Xangô e Ogum .
Energia feminina é a energia do acolhimento dos sentimentos das emoções.
Senhora do Ouro, da Prosperidade, da Fertilidade, do amor.
Na África existe o Rio Oxum no Estado de Oxum, Sudoeste da Nigéria e um Templo dedicado a ela. Um bosque sagrado, local de peregrinação e Patrimônio Mundial da UNESCO.
Sincretizada com Nossa Senhora Aparecida
Comemoração : 12 de Outubro
Dia da semana : Sábado
Cores : Amarelo, Rosa, Dourado
Animal: Pomba Rola
Sustentadora da Linha das Pombagiras e Erês
Elementos compatíveis : banana frita, mel, omolucum, moqueca de peixe, pirão, quindim
Elementos incompatíveis : abacaxi , barata
Ervas e Flores : Rosas Amarelas, dinheiro em penca, louro, manjericão, narciso, lírio.
Metal : Ouro
Pedra : Topázio amarelo ou azul
Ponto de força : cachoeira
Saudação: Oraieiêo
Iansã ( Oyá )
Orixá guerreira, Senhora dos Ventos, das tempestades dos trovões e também dos espíritos desencarnados eguns conduzindo-o para outros planos, ao lado de Obaluaê.
Divindade do Rio Níger, representa, o arrebatamento, o movimento, inquieta e impetuosa
Foi esposa de Ogum e depois a mais importante esposa de Xangô.
Uma de suas funções espirituais é trabalhar a consciência do desencarnado, que está a margem da lei para poder então encaminhá-lo outra linha de evolução.
Bebida: Champanhe
Chacras: Cardíaco e frontal
Cor: Amarelo e laranja
Comemoração: 4 de dezembro, comemorando o Dia de Santa Bárbara
Comida: Acarajé
Dia da semana: Quarta-Feira
Elemento: fogo
Incompatíveis: abóbora rato
Ervas: cana do brejo, erva prata, espada de Iansã, erva de Santa Bárbara
Essência : Patchouli
Dia da Semana: Quarta-Feira
Elemento: Fogo
Incompatíveis: Abóbora, Rato
Ervas: Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Iansã, Erva de Santa Bárbara, Folha de Pitanga.
Flores: Amarela
Metal: Cobre
Pedras: Coral, Granado e rubi
Ponto da natureza: Bambuzal
Saudação: Eparrei
símbolos: Eruexim e o Raio
sincretismo: Santa Bárbara, Santa Joana D'arc, Santa Catarina
Iemanjá
Iemanjá é uma das divindades mais reverenciadas nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Conhecida como a Rainha do Mar e a Grande Mãe, ela é a orixá das águas salgadas, regendo os oceanos e, por extensão, a origem da vida, a fertilidade e a maternidade.
Juntamente com Oxalá representa a força primordial da Umbanda e mãe de todos os Orixás.
Ligada ao Rio Yemojá na África.
- Mar: É o seu domínio e símbolo de sua força e mistério. O mar representa tanto a calmaria quanto a tempestade, refletindo as dualidades da vida e da natureza.
- Maternidade: Iemanjá é invocada para proteger a família, assegurar a fertilidade e auxiliar na gestação e parto, sendo o arquétipo da mãe zelosa e acolhedora.
- Purificação: Suas águas têm o poder de limpar e renovar, levando embora as tristezas e as energias negativas.
Bebida: Champanhe
Chacras: Básico ( Kundalini )
Cor: Azul Claro, Azul e Branco
Planeta : Lua
Características dos seus filhos : Exigentes, metódicos, maternos e superprotetores .
Comemoração : 09 de Dezembro, 31 de Dezembro e 02 de Fevereiro
Oferenda : Champanhe, Manjar Branco, Rosas Brancas
Dia da semana: Sábado
Elemento: Água
Incompatíveis : caranguejo, sapo
Ervas: Alfazema, camomila, lágrima de N.Senhora, manjericão branco, erva doce , pétalas branca.
Essência : Alfazema
Flores: Rosa Branca
Metal : Prata, Platina
Pedras: Cristais, Pérola, Quartzo Azul, Água Marinha,
Ponto da natureza : Mar , Oceano
Saudação: Adoyá
Símbolos: Abebê , Âncora .
Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora dos Navegantes .
- Conservadora: Guarda e protege a tradição e o conhecimento ancestral.
- Introspectiva: É calada, séria e misteriosa, representando a profundidade do pântano e a reflexão necessária para a sabedoria.
Nanã é a mais velha dos Orixás do Panteão Iorubá, sendo a própria origem e o mistério.
Ela foi a primeira esposa de Oxalá, o Orixá da criação, e com ele gerou três filhos Orixás:
- Tempo (ou Iroko)
- Obaluaê
- Oxumaré
Nanã é a Mãe da dissolução da capa física da terra, e sua presença é sentida na chuva e na garoa. Banhar-se nas águas da chuva é, simbolicamente, banhar-se com os elementos de Nanã, que purificam e preparam para a transformação.
No tocante à reencarnação, a Orixá Nanã atua envolvendo o ser humano em sua irradiação única, que:
- Diminui os acúmulos energéticos do ciclo anterior.
- Adormece a memória de modo a permitir que o espírito ingresse na nova vida sem ser perturbado pelas lembranças anteriores.
Nanã representa ainda a menopausa, pois rege a maturidade e a idade racional dos seres.
Ela simboliza o tempo de introspecção e a sabedoria adquirida ao longo da vida, marcando a fase em que a experiência se torna o principal guia.
Bebida: Licor, vinho , champanhe - todos doces
Chacras: Cervical
Cor: Lilás ou Roxo
Planeta : Saturno
Características dos seus filhos : calados, metódicos e sábios
Comemoração : 26 de Julho
Oferenda : Abalá, Mugunzá, Feijão com coco, Pirão de Batata Doce .
Dia da semana: Sábado ou Segunda
Elemento: Água
Incompatíveis : Ferro, Aço
Ervas: Manjericão roxo, ipê roxo, canela da velha, dama da noite, folha da quaresma
Essência : Limão, lírio, narciso, orquídea
Flores: Todas as roxas
Metal : nenhum
Pedras: Ametista,
Ponto da natureza : Pântanos, brejo, águas-paradas, lama, lago
Saudação: Saluba Nanã ( Salve a senhora da morte )
Símbolos: Chuva, ibiri
Sincretismo: Santa ' Ana
Sustenta a linha das pretas velhas e benzedeiras.
OBÁ
Obá é reverenciada como uma guerreira forte, estrategista e defensora das mulheres. Ela é conhecida por sua bravura inabalável, sendo considerada mais poderosa do que muitos Orixás masculinos em combate. Ela simboliza a coragem, a resistência e a força feminina que surge da dor e da superação. Uma das três esposas de Xangô, ao lado de Oxum e Iansã.
Obá divide o Trono do Conhecimento ao lado de Oxosse, sendo uma sustentadora das florestas e da Linha das Caboclas.
Animais : Cabra, galinha de Angola.
Bebida : Água de coco, Água com hortelã, Água mineral
Chacras : Chacra Frontal
Cor: Laranja, vermelho e branco
Planeta : Marte
Características dos seus filhos : Ciumentos, leais, fiéis, combativos, disciplinados
Comemoração : 30 de Maio
Oferenda : Coco verde, Abacaxi, Morango, Maça, Cenoura
Dia da semana: Quarta-Feira
Elemento: Terra
Ervas: Babosa, Alecrim, Manjericão, Urtiga, Folha de Abacaxi
Flores: Palma Vermelha, Amor Perfeito, Flores do Campo
Metal : Cobre
Pedras: Calcedônia, Turmalina Verde
Ponto da natureza : Rios com correnteza
Saudação:
Símbolos: Espada e Escudo
Sincretismo: Santa Joana D ' Arc





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