ORIXÁS







I N T R O D U Ç Ã O 

A África é um berço cultural e social que alimentou o mundo inteiro com sua riqueza, mas todos sabemos dos anos e mais anos que este continente sofreu com a dura mão da escravidão e do preconceito, quando todo o mundo, então cristão julgava a África como o inferno na Terra propriamente dito. 

Essa visão de que este continente não tinha a benção de Deus, e que todos que lá nasciam e viviam comungavam dessa “energia”demoníaca, colaborou com a escravização, gerando inclusive a benção deste ato pelo órgão máximo da religião católica. 

Como já estudamos, a cultura africana é vastíssima, inclusive religiosamente, esse fato fez com que com a vinda de escravos parao Brasil e demais países americanos construíssem uma grande miscigenação, um grande sincretismo de culturas que resultou em diversas religiões, pois, seus corpos haviam sido aprisionados, porém, sua crença, essa jamais poderiam apreender. 

A escravização não foi algo que aconteceu apenas no Brasil e os escravos africanos foram enviados para diversos países, e em todos eles continuaram seus cultos, e assim deram origem a diversas novas religiões, como o Candomblé no Brasil. Hait oi Voodu,  Venezuela a Maria Lionça, México a  Santeria Trinindad-Tobago o Obea, Caribe o Palo e nos Estados Unidos o  Hoodo.

Com o convívio dos negros nas viagens e nas senzalas, foram obrigados e se comunicar, aprender os costumes uns dos outros, para sobrevivência.

Esse convívio fez com que pessoas de tribos diferentes se relacionassem e aprendessem seus rituais, culturas e crenças, e dessa forma diferente do que acontecia em seu continente natal, agora começa a se formatar uma estrutura de culto a vários Orixás,e não somente o da região de cada um, assim formatando a base do culto ao Candomblé.

Como sabemos nas senzalas os negros escravos não tinham a possibilidade de cultuar suas divindades, por isso, cultuavam secretamente, assim como a capoeira, e esse também é o motivo de se chamar Candomblé, pois a tradução do Yoruba é simplesmente “festa” logo os senhores das fazendas acreditavam que o que estava acontecendo era uma festa, quando na verdade era um culto as suas divindades, a seus Orixás.

O candomblé hoje em dia já tem um culto e uma cultura formatada, que diverge de muitas coisas em comparação com a Umbanda, iniciando-se pela gira.

No candomblé não se possui relação com espíritos e somente com os Orixás, já na umbanda possuímos relação com espíritos, como os caboclos, pretos velhos, exus, etc., mas também temos a relação com os Orixás. 

Na umbanda as pessoas que vem assistir ao culto passam com os guias para conversar e tomar passes energéticos, tem a sua consulta com os guias, já no candomblé, por apenas ter relação com Orixás, isso não acontece, pois os Orixás manifestados não falam, dessa forma os filhos que precisarem de consulta precisam marcar um horário com o Babalorixá da casa, esse então vai usar de técnicas, como o jogo de búzios . 


 A QUESTÃO DA ORALIDADE NA TRADIÇÃO YORUBÁ  AFRICANA 

Como todas as outras religiões ancestrais, a Religião Yorubá Africana, não se baseia em escritos em seu início, mas diferente também das outras, não precisou de escritos para a sua manutenção. Judaismo e Cristianismo, contaram com escritos póstumos aos seus fundadores, escritos por seguidores e vários anos depois do ocorrido . 

Os fundamentos da religião Yorubá , que nos legou o culto aos Orixás através dos escravizados em nossa terra, era transmitido e mantido  de sacerdote para sacerdote, em um grupo restrito e escolhido . 

O Corpus Literário de Ifá (ou Odu Corpus) é o fundamento das práticas divinatórias iorubá. 

O Corpus tem sido mantido e transmitido pelos babaláwo, sacerdotes de Ifá-Orunmilá, e sempre através da oralidade,de babalaô para babalaô. Exclusivamente oral, o Corpus é um “discurso privativo”, apenas os escolhidos formam o grupo habilitado a nele penetrar. 

ODU = Caminho fundamental transmitido pelos Orixás através dos Búzios 

IFÉ = Casa da abundância, local de expansão, ou a primeira cidade construída pelos Orixas,situada a sudoeste da Nigéria

Conteúdo esotérico por natureza – os Odus, suas histórias, seus ebós,seus ewos (quizilas ou proibições) – essa palavra passa para o domínioexotérico/social quando da consulta ao sistema divinatório. 

Ou seja, os enunciados não são de conhecimento geral, mas constituem-se no discurso privado dos babalaôs; são revelados durante o contexto de aprendizado da formação de um babalaô (12 a 16 anos de formação específica); passam para conhecimento exotérico ou mais generalizado durante a consulta aos oráculos, e, mesmo assim, apenas na medida em que o babalaô desejar revelá-lo: um consulente pode ser informado apenas de qual ebó ou procedimento ritual deverá adotar, sem qualquer tipo de informação sobre o conteúdo específico do Odu obtido na consulta.



A IMPORTÂNCIA DA ANCESTRALIDADE 

O tempo na visão Yorubá Africana, é uma linha contínua, onde os ancestrais ( passado ) se fazem ativos no tempo atual ( presente ) e lançarão fundamentos para as próximas gerações ( futuro ) . As gerações passadas não estão perdidas para o tempo presente. A geração futura se prepara no presente com o conhecimento ancestral . 

Muito equivale ao pensamento hindu, quando Krishna ensina a Arruda no Bagavad Gita: "Não existiu passado em que não existimos, nem futuro em que deixaremos de existir." 

Acredita-se que os ancestrais, ou "Egungun", continuam a existir no reino espiritual após a morte física. Eles são vistos como guardiões que guiam e protegem seus descendentes vivos, fornecendo sabedoria e influência em suas vidas. O povo iorubá honra seus ancestrais por meio de diversos rituais, oferecendo orações e mantendo altares ancestrais em suas casas. O festival anual Egungun é um evento importante no qual os ancestrais são homenageados coletivamente. Os ancestrais são respeitados não apenas por suas contribuições passadas, mas também por sua participação contínua na vida da comunidade. Na visão de mundo iorubá, honrar os ancestrais ajuda a manter a ordem social e espiritual, fortalecer os laços entre os vivos e os mortos e garantir a continuidade e a prosperidade da comunidade. É uma lembrança comovente da crença iorubá na natureza cíclica da existência e na interconexão de todas as gerações.

A ESPIRITUALIDADE IORUBÁ 

A espiritualidade Iorubá não é meramente um sistema de crenças, mas um modo de vida. Ela permeia o cotidiano de seus praticantes, moldando normas sociais, influenciando as artes e a cultura e fornecendo uma estrutura para a compreensão do mundo e do lugar de cada um nele. Central a essa prática espiritual é a crença em um panteão de divindades ou Orixás, cada um governando um elemento da natureza ou uma atividade humana. 

Esses Orixás personificam uma miríade de experiências humanas, e as relações dinâmicas entre eles refletem a complexidade e a interconexão da própria vida.

A espiritualidade Iorubá também é significativa por seu foco na vida ética, no crescimento pessoal e na harmonia comunitária. Conceitos como “Iwa” (caráter moral) e “Ori” (intuição ou destino) guiam os indivíduos rumo ao aprimoramento pessoal, ao comportamento ético e à realização de seu potencial único.

Parte integrante das tradições iorubás são as elaboradas práticas rituais, que vão desde oferendas diárias a festivais anuais. 

Esses rituais, frequentemente envolvendo música, dança e oferendas simbólicas, servem como uma ponte entre os reinos físico e espiritual, proporcionando aos praticantes um meio tangível de se conectar com o divino, buscar orientação ou expressar gratidão.

O Início da Espiritualidade Iorubá

As origens da espiritualidade iorubá são tão antigas quanto o próprio povo iorubá.

 Enraizada na reverência aos ancestrais, no culto à natureza e em uma compreensão complexa do destino e do caráter, essa tradição espiritual evoluiu ao longo dos séculos para o rico e diversificado sistema de crenças e rituais que conhecemos hoje.

No centro da espiritualidade iorubá está a crença em uma divindade suprema, Olodumare, que é a fonte de toda a vida e existência. Olodumare é complementado por um panteão de divindades secundárias, ou Orixás, cada uma com seus domínios, personalidades e devotos únicos. Essas divindades não são vistas como entidades  distantes e abstratas, mas como seres acessíveis que interagem com os humanos,  guiando-os, ensinando-os e, às vezes, até mesmo caminhando entre eles.

O conceito de “Axé” Na espiritualidade iorubá, “Ase” ou “Ashe” é um conceito fundamental que pode ser traduzido livremente como “poder”, “autoridade” ou “comando”. É frequentemente visto como a energia divina que impulsiona o universo e tudo o que nele existe. Ase permeia todos os aspectos da vida e da existência, unindo os reinos físico e espiritual. Essa força vital não está presente apenas em divindades e entidades espirituais, mas também em humanos, animais, plantas e até mesmo objetos inanimados. O conceito ressalta a interconexão de toda a existência e o potencial tanto criativo quanto destrutivo dentro de cada indivíduo. Axé constitui a base de diversos rituais, invocações e bênçãos na espiritualidade iorubá, enfatizando a importância de canalizar e direcionar essa energia de forma positiva e equilibrada.

A CULTURA IORUBÁ NO BRASIL 

No Brasil  a cultura Yorubá não foi transmitida por um sacerdote. 

Foi transmitida inicialmente de escravos para escravos na senzala, uma vez que vieram para cá, escravizados de várias nações e propositadamente foram misturados em grupo, como estratégia do colonizador para evitar rebelião.

Assim cada grupo étnico trouxe seu Orixá e crenças que se misturaram na senzala, criando a base do que viria ser hoje o Candomblé  Brasileiro , principal religião nacional, que busca o culto aos Orixás e as raízes essenciais africanas .

OS PRIMEIROS BABALAÔS NO BRASIL 

O Brasil possuiu em sua história inúmeros personalidades que preservaram o conhecimento ancestral  Yorubá,   transmitidos através dos seus ancestrais escravizados . 

Gostaria de realçar aqui a figura e história de PAI AGENOR MIRANDA ROCHA. 

Embora tenha sido um homem branco, mas de origem angolana, fez um importante trabalho de preservação e divulgação da Cultura Yorubá no Brasil, criou o primeiro registro escrito, de que se tem notícia, dos fundamentos do Jogo de Búzios, escrevendo em um caderno as orientações de sua Mãe de Santo, além de outras obras. Permitiu que vários outros sacerdotes cópias sem seu caderno, gerando toda uma lenda a respeito dos cadernos de Pai Agenor . 

Finalmente esse caderno foi editado em 2001, em volume organizado por Reginaldo Prandi . 

Nascido em Angola, no dia 8 de setembro de 1907, Agenor Miranda Rocha foi um importante babalorixá do candomblé. Pai Agenor recebeu sua iniciação aos cinco anos, dada por mãe Aninha (1879-1938). Além de adivinho e estudioso da cultura africana, também era professor, cantor e poeta.

 LIVRO :  CAMINHOS DE ODU - AGENOR MIRANDA ROCHA . 

DOCUMENTÁRIO : 

UM VENTO SAGRADO - PAI AGENOR 

ENTREVISTA COM PAI AGENOR 

A ETERNA INFLUÊNCIA DO MITO 

Começamos por uma definição ampla e pouco restritiva: mito é um conjunto de narrativas que falam de deuses e heróis, ou seja, de dois tipos de personagens que as cidades antigas cultuavam. 

Como deuses e heróis aparecem principalmente nos momentos fundadores de uma cultura, devemos notar que não se trata de quaisquer narrativas, mas uma narrativa singular onde são abordados os tempos fabulosos do principio de todas as coisas. 

Assim, os mitos contam a história dos primórdios, do momento em que algo – o Mundo, o Cosmo, uma planta ou espécie vegetal  ou comportamento – começou a existir. 

Mito é a descrição de como alguma coisa foi produzida ou começou a ser. 

Esse ato original, primeira manifestação de algo, é mais importante do que todas as suas possíveis repetições, porque é o ato realizado pelas “Potências” ou “Seres Primordiais” no “tempo mítico” que é o tempo da origem.

Portanto, mitos são o relato das intervenções do sagrado no mundo. 

Para o homo religiosus, é essa irrupção do sagrado que fundamenta e dá forma ao Mundo: a ação das Potências Sobrenaturais cria o Universo, o Cosmo, os homens, animais e plantas. 

Mas não só isso; os mitos também detalham como o homem pensa, porque é sexuado, porque trabalha, porque não entende a língua dos animais, etc. O homem é como é porque eventos fundamentais aconteceram na origem dos tempos; o homem contemporâneo é constituído pelos eventos relatados pelos mitos.

O mito é um esforço humano no sentido de encontrar, sob a dinâmica desses encontros, os elementos estáveis que tornam a vida possível de ser organizada e vivida. 

O mito descreve o próprio movimento das potências universais e essa é a principal razão pela qual utiliza a linguagem simbólica da poesia, do epigrama, da dança e dos rituais, ao invés da prosa.

A partir do momento, em que essas potências influenciam a vida humana, o mito cumpre o seu papel de explicar os caminhos humanos. 

Os mitos contados no Corpus têm como objetivo ilustrar ou fundamentar uma situação, ou ensinamento, ou preceito. 

Por exemplo, conta-se que determinado Orixá em determinada situação fez determinado ebó e/ou adotou tal conduta. O objetivo aqui é esclarecer que tipo de ebó e/ou conduta o consulente do oráculo deve adotar e para qual Orixá dirigir as oferendas. Esses ensinamentos não foram “revelados” por emissários divinos, mas sim fruto da observação e manipulação milenar das forças da natureza – que, afinal, são os Orixás. Eis porque o Corpus não se preocupa com homogeneidade de pensamentos e ações; um mesmo Orixá pode, em situações e Odus diferentes, adotar condutas díspares. Eis também porque os mitos não devem ser retirados de seu contexto no Corpus. 

No Candomblé brasileiro, o Corpus não foi mantido. Talvez que nenhum babalaô tenha sido escravizado nessas terras, talvez que nenhum babalaô tenha nascido e se formado nessas terras. O caso é que no Brasil não temos nem babalaôs nem a tradição do Corpus em sua completude.

Mas sim, temos mitos, histórias destacadas do seu contexto original e apenas podendo ser interpretadas,  o que conduziu a diversos erros graves, sendo o principal deles a descaracterização da verdadeira natureza de alguns Orixás. 

Por exemplo: Exu deixou de ser visto como o dono da ordem para ser o senhor da confusão; Obá – por causa do célebre episodio do amalá  com orelha – como uma mulher envelhecida e ciumenta; Oxum como uma intrigante ardilosa. E assim vai. A atribuição dessas características aos seus adeptos – no Brasil, “filhos” – gerou confusões do tipo “todos os filhos de Oxum são fofoqueiros e neles não se pode confiar”; “os filhos de Oyá são briguentos”; etc.

Acredito que, mais do que nunca, é necessário retomar os mitos em sua verdadeira natureza, para realmente podermos entender o que são os Orixás.

Pensemos em Nanã Burukê. 

A Velha Senhora é dona da lama com a qual Oxalá molda os bonecos que, recebendo o sopro sagrado (emi), adquirem vida. Em algum momento, Nanã pedirá de volta o que é dela, ou seja, a lama. Para ela não importa que essa lama tenha ganhado forma e vida, ela apenas reivindica o que lhe pertence. Por isso, Nanã é vista como sendo a Senhora da Vida e da Morte. Reclusa, distante, temível, feiticeira, velha. Em seu culto não entra metal – os animais a ela sacrificados não podem ser cortados com faca – nem homens: apenas mulheres podem ser suas sacerdotisas. 

Na República do Benin, Nanã Buruku é o nome do Ser Supremo, pois na língua Fon nana significa antigo, velho e Buruku é o nome de Deus. Portanto, Nanã Buruku significa Deus Antigo.

A  SUPREMACIA DAS DEUSAS 

O estudo histórico-antropológico dos mitosrevela que, num primeiro momento da historia humana, a Antiguidade não tinha deuses masculinos; apenas a Grande Deusa era considerada imortal, imutável e onipotente.

Não se sabia qual o papel que o homem representava no contexto da concepção, nem o valor do sêmen. As mulheres eram as rainhas, e os homens seus consortes durante um período de tempo, o ano medido pelas três fases da matriarca: menina/virgem, ninfa/jovem/fértil evelha/infértil/sábia. A Deusa é então vista como sendo Una e Trina.

No inicio do ano, a Rainha casa com seu consorte; no final, ele é morto nas festas do plantio, seu sangue e carne espalhados pelo campo, trazendo fertilidade. A Deusa, a Rainha e a Terra são outra Trindade, são a mesma coisa, nada as separa ou distingue.

O ano era medido pelas três fases da matriarca e também pelas três fases do plantio – semeadura, plenitude e colheita. As representações da Deusa obedecem ao mesmo modelo Uno e Trino: estatuetas ou pinturas de um trio de mulheres de idades diferentes e mãos dadas. Outra Tríade é Deusa da Água, do Ar e do Subterrâneo; da Água Doce, Água Salgada, Água da Chuva; e sucessivamente. Eis porque o número 3 passou a ter um significado espiritual profundo na mente humana.

A partir do momento em que o coito e o sêmen foram considerados fundamentais para a concepção – pensava-se que a mulher engravidava do vento, do sol, de insetos, etc. - os homens começaram a adquirir importância. 

Após um período de transição, finalmente os homens subjugam as mulheres e têm inicio o período do patriarcado. Das memórias desse período anterior advém todos os mitos que falam de mulheres terríveis, grandes bruxas ou feiticeiras – como Medeia, a sacerdotisa do Sol que vinga sua honra matando até mesmo os próprios filhos.

Resumindo: o que conhecemos como “mitologias” são histórias geradas, alteradas e recontadas através dos tempos, até encontrar sua forma definitiva. 

Suas primeiras versões são tão antigas que remetem ao tempo do matriarcado sobre a terra, quando não havia deuses, mas apenas deusas. 

Com o tempo e a evolução histórica e social, surgem os deuses. 


AS ORIXÁS MAIS ANTIGAS 


As Iya Mi Oxorongá são as nossas mães primeiras,

Raízes primordiais da estirpe humana, são feiticeiras.

São velhas mães-feiticeiras as nossas mães ancestrais.

As Iya Mi são o principio de tudo, do bem e do mal.

São vida e morte ao mesmo tempo, são feiticeiras.

Podemos pensar nesse verso como um compósito: as descrições e atribuições (Mães, raízes primordiais, principio de tudo, vida e morte ao mesmo tempo) são mais antigas (matriarcais); a conclusão “são feiticeiras” é mais recentes e pertence ao período patriarcal. Pois como podemos entender que as Mães Primeiras, as Raízes Primordiais da estirpe humana, o principio de tudo, são feiticeiras? Que ninguém escapa de seu feitiço e de seu ódio?

Na República do Benin, Nanã Buruku é o nome do Ser Supremo, pois na língua Fon nana significa antigo, velho e Buruku é o nome de Deus.


Entre os ewe e os fon da República do Benin, Deus é conhecido como Nanã Buruku (grifo nosso). Adotada pelos egba sob o nome Buruku, ela veio a ser cultuada entre os iorubás como divindade, e não como o Ser Supremo. Eis alguns de seus nomes: Ajapa (Guardiã do monte); Opara (Mãe de Obaluaiê);Ibain (Dona da terra); N’Buruku (A mais velha); Obaiya (A dos pântanos);

Claro que estamos falando de uma das deusas matriarcais, do tempo em que o deus supremo era uma mulher, vinda de um período tão antigo na historia que seu culto se estabeleceu num tempo em que ainda não existia a metalurgia e que os homens eram apenas espectadores da ação litúrgica do feminino e que, num segundo momento, foi incorporada ao panteão patriarcal, com poderes diminuídos. 

Ou pensemos em Obá. Guerreira, vestida de vermelho (cor do sangue menstrual), não apenas comanda um exército de mulheres como leva à guerra todas as fêmeas de todas as espécies animais. À frente desse exército, ela vai em pé sobre seu cavalo. Obá é o centro de uma sociedade secreta exclusivamente feminina, a Sociedade Elekô. Em seu culto são aceitos objetos de metal, e ela porta espada e escudo, o que nos permite concluir que seu culto é posterior à metalurgia, portanto não tão antiga quanto Nanã. Com o tempo, sua natureza foi sendo alterada e Obá surge em algumas versões como sendo a esposa mais velha de Xangô, ciumenta da rival mais jovem, Oxum, que a engana e faz com que corte a própria orelha para um feitiço que garanta a atenção do homem que ama. Ou seja: o feminino matriarcal ancestral, temido pelo masculino, precisa ser submetido, tornando-se uma esposa submissa. 

Obá se destaca do conjunto das Mães e aceita elementos do patriarcado, como metal em seu culto, mas Oxum se destaca ainda mais: não apenas aceita metal mas também passa a “manifestar-se” em oris masculinos. 

Oxum pode ser entendida como a Mediadora entre o universo matriarcal primitivo das Grandes Mães e o universo patriarcal dos Orixás. 

Então, Obá deveria aprender com Oxum a ouvir e fazer um sacrifício pessoal de algo seu – o ouvido – para poder plenamente pertencer ao mundo que passou a ser dominado pelo masculino.


Porém, nada mais claro que o mito que narra como Ogum conquistou para os homens o poder das mulheres:

No começo do mundo, eram as mulheres que mandavam na Terra e eram elas que dominavam os homens. (...)

 As mulheres tinham o poder e o segredo.

Iansã tinha inventado o mistério da sociedade dos egunguns (...) e os homens estavam sempre submissos ao poder feminino. (...) Finalmente, um dia, os homens resolveram acabar com aquela humilhação de estarem sempre sub-

missos ao poder de suas mulheres. (...) Quando as mulheres chegaram e viram aquele homem forte vestido como um poderoso e armado até os dentes, exibindo aos quatro ventos seu porte de guerreiro, elas saíram a correr (...) num pânico incontrolável. A vista do homem assumindo o poder era terrificante.”

O relato é claríssimo, inclusive quando diz que o poder passou para os homens através da força, quando eles ameaçaram as mulherescom suas armas. Não foi uma transição pacífica! 

Mais: as mulheres conduziam os ritos de Baba Egum – hoje, nos ritos da Casa da Amoreira (Ilha de Itaparica, Bahia), hoje as mulheres só podem assistir no fundo da sala, em silencio,pois apenas os homens são sacerdotes de Baba Egum.

Finalizando: os mitos são frutos do tempo em que foram gerados. E sofrem transformações quando os tempos mudam. 

A versão a ser considerada por um grupo será aquela que melhor se adaptar ao conjunto de versões que formam o universo religioso do grupo. 


Cada grupo irá adotar a versão mítica mais condizente com a totalidade de seu pensamento e desprezar outra. Ou mesmo abandonar completamente alguns mitos, o que significa que Orixás importantes num grupo/culto estão ausentes ou são menores em outros.

Estou defendendo que não há nem pode haver uma versão definitiva dos Orixás e suas historias, mas sim, versões que se completam num universo partilhado por um grupo. Tentar justificar idéias a partir de algum itan – ou apresentar ositanscomo sendo verdades – é abandonar a base da própria tradição africana e tentar de alguma forma estabelecer
um “texto sagrado” ou “revelado”, comportamento judaico cristão até a medula. A meu ver, a essência das religiões africanas é sua práxis: rituais claros, minuciosamente descritos, que, se cumpridos à risca, permitem a manipulação das energias da natureza. E permitem que os deuses se ma-
nifestem no Aiyê, dançando com seus adeptos nos ritmos dos tambores sagrados.
Mais ainda: se houvesse necessidade de preservar alguma “pureza”, o Candomblé brasileiro não poderia existir, tantassão suas alterações, mudanças e “erros”. Porém, como explicar que mesmo assim os Orixás se manifestem no Candomblé?

Penso que esses argumentos pendem para nossa conclusão: a essência das religiões africanas é sua práxis: rituais que, se cumpridos à risca, permitem a manipulação das energias da natureza.

Práxis : ação ou prática consciente que transforma a realidade .

Concluindo, penso que os sistemas religiosos africanos apresentam três elementos principais: mitos, imagens divinas e rituais.

Daí a conclusão que se impõe: os rituais são o ponto central e mais importante das tradições africanas. Sua persistência no tempo não se deu por crença, mas por eficiência – são ritos eficientes, que cumprem seu objetivo.

A UMBANDA, O CANDOMBLÉ E O HOMEM MODERNO 

O homem moderno adepto das tradições africanas é, portanto, ao mesmo tempo um homem mítico e contemporâneo, imerso no processo capitalista de produção e vivendo num tempo histórico, com vetor inexoravelmente voltado para o futuro. O que não significa a morte dos mitos: a imaginação mítica não apenas continua viva dentro da consciência do homem contemporâneo, como talvez possa ser “a forma mais comum do pensamento humano”.

Concluindo: as religiões africanas e afro-brasileiras são tradicionais mas não arcaicas. Pela própria lógica, se não dessem respostas ao homem moderno em sua vida cotidiana, não teriam condições de existir. Sua vitalidade é a prova de sua contemporaneidade. E, acima de tudo, os Orixás continuam respondendo aos atabaques e manifestando-se em seus adep-
tos, eficientes em seu objetivo de religar o homem e seus deuses. Essa questão – a possessão, a resposta imediata dos Orixás em seus adeptos – é incontornável.

O adepto das religiões africanas é um homem francamente ancorado no presente, que sabe que possui uma história, que cultua seus antepassados, mas sabe que vive aqui e agora, e que o futuro depende de seus atos atuais. Esse homem é uma encruzilhada de eventos históricos presentes e futuros, e vive uma travessia constante, que é sua vida.
Talvez na verdade passado e futuro sejam apenas ficções: existe apenas o presente continuo e eterno; ontem já foi e amanha não chegou; e quando amanhã chegar, será hoje.

O que existe é Ori e Iwa: minha herança e meu comportamento aqui e agora plantando meu futuro:

Observações necessárias sobre o Candomblé

Na senzala, Orixás das diversas nações foram obrigados a conviver e serem cultuados num único dia: o dia que o senhor permitia o toque dos tambores. A solução encontrada foi a “festa de santo”: um Orixá é o centro das atenções naquele dia, mas todos os Orixás “aparentados” também são cultuados, num sistema de rodízio. Disso resultou um panteão de 16 Orixás mais cultuados no Brasil, quando na África eram centenas.

Nesse processo, características de diversos Orixás foram amalgamadas em um único, como é o caso de Oxalá, que no Candomblé terminou por assimilar características de muitos Orixás Funfum que praticamente desapareceram e não são objeto de culto. Isso também significa que mitos diferentes foram amalgamados em uma só variante, que se tornou a ver-
são oficial brasileira.

É possível que na escolha dos Orixás a serem cultuados no Brasil, ou na fusão das qualidades desses Orixás em um único, forçassócio-históricas especificamente brasileiras tenham estado em ação: por exemplo, na tentativa de não cultuar Orixás que pudessem beneficiar os senhores de escravos, Orixás da agricultura ou das boas colheitas podem ter sido pre-
teridos enquanto outros ligados à guerra ou à força pessoal foram valorizados.

Ou ainda: para que o culto não fosse reprimido pelos senhores e sacerdotes católicos sob acusação de “paganismo” ou “fetichismo”, entrou em cena o sincretismo com santos católicos, o que prosseguiu até metade do século XX, quando o Candomblé conseguiu status de religião autônoma,
deixou de ser perseguido pela polícia e pode realizar seus ritos sem encobri-los pelo sincretismo.55 E, mesmo após a publicação do manifesto de 1983, o sincretismo continuou vivo na Bahia.

Essa convivência deixou suas marcas, e os Orixás passaram a incorporar características dos santos com os quais foram sincretizados, o que também levou à alteração de alguns mitos para incluir aspectos das personalidades dos santos ou, ao contrário, para “aparar arestas” da personalidade dos Orixás. O sincretismo terminou por gerar ritos próprios do Brasil, como a lavagem das escadas da Igreja do Bonfim (forma de ce-
lebrar Oxalá), ou a festa de Iemanjá no Rio Vermelho (BA) e na Praia Grande (SP).

O culto dos antepassados nunca atingiu no Brasil a mesma importância que tinha (e continua tendo) na África. Conforme Bastide,57 isso provavelmente se deve ao desaparecimento - devido à escravidão do sistema de clãs que sustentava o culto aos antepassados. A ausência de pessoas iniciadas no culto aos antepassados, bem como a influência católica com sua condenação do culto de “espíritos”, também contribuíram
para essa perda. A dissolução dos clãs talvez seja a razão mais remota para o surgimento no Brasil da familia-de-santo, uma organização baseada em parentesco espiritual, não carnal. 

A nomenclatura dessa nova família teria uma dupla origem: pai, mãe, irmãos de santo, ou seja, não carnais; e de santo, não de Orixás, graças ao sincretismo e à repressão ao culto.




ORIXÁ  ORI 

Itan sobre o nascimento de Orí.

Conta a lenda que os Orixás e Ancestrais se rebelaram, querendo ter os poderes e a sabedoria do Deus supremo.

Como mensageiro nomearam Exu, que levou as reivindicações a Olodumare.
Este lhes enviou um poderoso obi, e, orientado por Ifá, determinou que após deixá-lo a noite inteira numa encruzilhada, os Orixás e Ancestrais deveriam tentar parti-lo para mostrar seu poder.

Ori era apenas uma pequena bola, que não possuía sequer um corpo para se apoiar, e ninguém o respeitava. 

Para conseguir partir o obi, procurou Ifá, que o aconselhou a fazer uma oferenda para os Odus, para conseguir a força de todos eles. 
Além disso deveria espojar-se na poeira do chão por algumas horas.No dia seguinte todos já estavam preparados para tentar partir o obi, quando chegou Ori, espojando-se na poeira. Um a um os Orixás foram fracassando na tentativa, pois o obi era muito forte e resistente.

Ori se apresentou e, como última opção, deixaram-no tentar. Com seu peso caiu sobre o obi, que se partiu em seis gomos. Todos ficaram muito felizes.

Olodumare, ao receber a notícia, imediatamente enviou uma linda almofada, onde Ori se instalou. 
Dessa forma Ori ganhou um corpo para sustentá-lo.

Orixás e Ancestrais exclamaram: ORI APERE!
A partir desse momento, Ori nasceu. Passou a ser dotado de Iwa, a existência, dada por Olodumare, como prêmio por ter sido o único a conseguir partir o fruto-ventre.

Orí iê, ô.

✔ Orlando J. Santos, ( em memoria) "Ori - Tradição Yoruba".


Quando nascemos, o Orí (cabeça), é o primeiro Òrìsà que recebemos, nele trazemos as impressões que estão gravadas no inconsciente, a nossa origem no universo. 

Ligados a ele por nosso Elédà, (mente superior), e fonte da inteligência para a sobrevivência no Aiyé (Terra), e dele (Orí), geramos toda a força propulsora que nos conduz em nossa jornada não somente para a vida em si mas também na saúde, prosperidade e equilíbrio, o qual está diretamente ligado ao Òrum (Céu), portanto aquele que conhece o próprio destino, da mesma forma que nos conduzirá na passagem do mundo físico ao espiritual, Ikú (a morte).

Assim, Orí = origem do ser = Elédà ( mente superior), está ligado ao Òrum, e ao mesmo tempo ligado à Terra (Aiyé), sobrevivendo após a morte para transmutar a morte física para a vida do espírito, e desta forma guardando em sua memória as marcas de sua origem.

"O pensamento provoca a ação", "a ação provoca a reação", e todos os frutos colhidos serão a resposta de nossa conduta, de nosso equilíbrio tanto mental como emocional, e isto é ter bom Orí, que saudaremos Olorire, e para aqueles com um mau Orí diremos Olori Burúkú, aquele de cabeça ruim, fraca.
Orí na linguagem africana significa cabeça. 

Na cultura afro aprendemos que o que controla o destino de todo ser é o orí, e o mesmo a a 5 ao orí de alguém", com o objetivo de fortalecer, concertar desarmonias, equilibrar alguém e para tanto o mesmo não fica obrigado a um compromisso com a casa de santo. 

Qualquer ser humano pode dar um ebori sem necessariamente vincular-se ao local que lhe fez a oferenda ou ao compromisso de ter que frequentar o culto ou se tornar um iniciado.

SER HUMANO A MAIOR ENCRUZILHADA 

A pessoa humana não é dada a priori, mas é algo que se constrói a si mesmo, partindo da percepção de si, incluindo os outros ao seu redor e sua inserção social, até a percepção de seu lugar na vasta teia do Universo; a pessoa se faz na longa travessia que é a aventura humana.

Também o pensamento originário iorubá concebe o universo como
uma rede de forças cuja dimensão sensível – o aiyé – encontra-se em relação
indissociável com outra, suprassensível – o orum (...) havendo profundos vín-
culos entre cada ser do plano material e seus correspondentes no plano
suprassensível. 

Portanto, o ser humano é o ponto de encontro entre Orum e Aiyé, “o
cruzamento de dois mundos”.

O individuo, assim, é o locus onde se cruzam 
1) o mundo interno, pessoal; 
2) a sociedade; 
3) o mundo espiritual. 
4 ) Sua herança ancestral 

Portanto, pessoa é antes de qualquer coisa uma composição de diversos fragmentos. 

A partir do trabalho sobre si mesmo – e seguindo os passos fornecidos pela pratica
religiosa – esses fragmentos vão compondo uma cada vez mais sólida uni-
dade. 

Ou seja, na visão iorubana a pessoa não é, ela se torna: um “tornar-
se pessoa” entendido de forma processual, através de várias etapas que são
as múltiplas iniciações.

Na concepção original iorubá a pessoa humana é composta de vários princípios vitais naturais (embora pouco dessa complexidade seja lembrada na prática cotidiana do Candomblé brasileiro): ara (o corpo físico), ojiji (a sombra, essência espiritual visível), okan (sede da inteligência, fonte de toda ação), emi (sopro vital) e ori (cabeça, responsável pelo destino pessoal). Podemos resumir assim: o ara (corpo) é o templo onde ojiji(essência espiritual) se manifesta. O okan material (coração) mantém vivo o corpo onde se instala o okan imaterial (a sede da inteligência). É no okan – no coração – que ficam guardadas as instruções e leis de Eledumare. Emi é o sopro divino que dá vida ao conjunto e, quando ausente, significa a cessação da vida no corpo.

Alguns autores, como Abimbola acrescentam outro elemento impor-
tante: o conceito de esè (perna), símbolo do poder pessoal e da atividade,
ou seja, ação para a autorealização. Essa seria a principal razão pela qual,
nos sacrifícios animais, os iorubanos oferecem as pernas e asas dos ani-
mais aos Orixás. E, acima de tudo, Ori, base e cenário das práticas – iniciações, ebós,
bori.A escolha do ori é um ato de livre escolha. 

Essa liberdade de escolher seu ori é a própria concepção iorubá de predestinação. Não se trata de puro determinismo: um ori ruim pode ser modificado pelas ações de um bom caráter (iwá), levando a uma modificação da existência. Ou seja: a tradição
iorubana vem nos dizer que tornar-se pessoa implica num profundo, in-
cessante e duro trabalho sobre si mesmo.

Iwa é um conceito bastante amplo. 

Geralmente traduzido por caráter, na verdade engloba o que a psicologia ocidentalchama de caráter, mas acrescido de todas as atitudes, posturas, condutas, padrões de reação, ou seja, todos os comportamentos que expressam a relação entre personalidade e caráter. Ou seja, iwa não é um conceito abstrato, mas concreto. Um alakoso – pessoa dotada de bom caráter, serena, responsável, equilibrada,
solidária – é um objetivo tanto pessoal quanto educacional. 

Iwa re ni o nse e! 
Teu caráter proferirá sentença contra ti!

Ou seja, temos sempre liberdade de escolhas, mas Iwa demonstra se
sou um homem justo ou não.

Iwa ni oba awure. O comportamento – postura, atitude – é o rei de awure –
magia para atrair a sorte.

Ou seja, quem tem iwa rere terá boa sorte. Já os possuidores de iwa
buruku são irresponsáveis, inquietos, irreverentes, pouco harmoniosos,
favorecendo o surgimento de brigas, desunião e, em longo prazo, azar e
falta de prosperidade.

A pessoa digna de ser amada, próspera e equilibrada é aquela que se
examina constantemente, que verifica suas ações, que tem percepção da
própria responsabilidade. Quem não tem prosperidade, deve olhar para os
próprios comportamentos e ver até que ponto é responsável por seu fra-
casso.

Enfatizamos que o momento crucial da vida de cada um é o momento
de escolha do Ori, diante de Eledumare e antes de vir para essa existência.
Pois um ori rere irá facilitar o desenvolvimento de um iwa rere, assim
como um Ori buruku facilita o desenvolver de um iwa buruku.

Porém, como o livre arbítrio existe, alguém dotado de ori buruku pode, pelas suas
ações, desenvolver um iwá rere. Assim como um mau comportamento,
um iwa buruku, pode “estragar” um ori rere.

Um indivíduo pode vir para a terra com um destino maravilhoso, mas
se tem mau caráter, a probabilidade de desempenho (cumprimento, exe-
cução) desse destino, é severamente comprometida. Um bom destino deve
ser sustentado por um bom caráter e o destino humano pode ser arrui-
nado pela ação do homem.

Por tudo isso o bori é um rito central nas tradições africanas. Bori ou
ebori ou ibori é o rito de fortalecimento e equilíbrio do Ori (cabeça interior)
de cada individuo. Deve ser feito regulamente, e deve preceder as oferen-
das ao(s) Orixá(s) da pessoa:sem Ori estarfortalecido e aberto, as energias
das iniciações não terão o mesmo efeito ou não serão absorvidas como
esperado. 

Antes do bori, é preciso passar por ebó, sempr,9 e determinado pela
consulta oracular, para que o corpo esteja livre de influências externas que
possam prejudicar o bori. 

Porém, se não houver comprometimento pessoal na mudança de
comportamentos, a energia recebida no bori logo se dissipa. Não adianta
cumprir os rituais, fazer iniciações, dar osé: não há como escapar ao fato
de que apenas mudanças em Iwa poderão trazer prosperidade, fertilidade
e longevidade. Nenhum ritual absolve alguém de comportamentos não-
éticos.

A grande importância do jogo oracular está em ajudar Ori a reconhe-
cer os caminhos que deve seguir. Importante é a iniciação em Ifá-
Orunmilá, ocasião em que o babalaô traz esclarecimentos sobre o Odu de
nascimento, ewos, rituais que devem ser realizados, iniciações necessá-
rias. 

O oráculo restaura a conexão entre Ori e Odu, Ori e predestinação,
ajudando o consulente a tomar decisões acertadas. Porém, o livre arbítrio
predomina: o consulente escolherá se seguirá ou não a orientação rece-
bida, se fará ou não as iniciações e rituais prescritos, se obedecerá ou não
os interditos.

A grande importância do jogo oracular está em ajudar Ori a reconhe-
cer os caminhos que deve seguir. Importante é a iniciação em Ifá-
Orunmilá, ocasião em que o babalaô traz esclarecimentos sobre o Odu de
nascimento, ewos,rituais que devem ser realizados, iniciações necessá-
rias.

O oráculo restaura a conexão entre Ori e Odu, Ori e predestinação,
ajudando o consulente a tomar decisões acertadas. Porém, o livre arbítrio
predomina: o consulente escolherá se seguirá ou não a orientação rece-
bida, se fará ou não as iniciações e rituais prescritos, se obedecerá ou não
os interditos.

O principal Orixá a ser cultuado, portanto, sempre será Ori: um bom
Ori ouvirá os conselhos e proverá os meios de seguir o caminho adequado.
Por outro lado, um Ori enfraquecido ou buruku pode levar o consulente a
não entender, ou entender e não acatar os conselhos recebidos.
O grande auxiliar de Ori nessa tarefa é Exu, orixá que abre os cami-
nhos, traz força e estabilidade, ajuda a quebrar hábitos e estabelecer novas
rotinas. Exu é o grande amigo de todas as horas.

A pessoa humana saudável é a que integra de maneira adequada as
experiências transpessoais no seu cotidiano, quando a duplicidade psique
individual/arquétipos não causa divisão, mas encontra-se em harmonia.

Essa integração é possível graças à eficácia dos rituais praticados há milê-
nios na África e há séculos no Brasil. Portanto, faz-se necessário
contemplar os ritos de iniciação no Culto Tradicional Yorubano e no Can-
domblé. Antes, porém, vamos resumir o postulado até agora.

Os mitos de criação iorubanos permitem algumas conclusões, como
segue:

Primeira conclusão: todas as coisas existentes – inclusive os Orixás – foram criadas a partir da vontade de Eledumare. A energia dinâmica de Olodumare – ou ainda Olorum – é chamada de “axé”, o poder gerador da existência. Para algo existir ou se concretizar, precisa ter axé. Nada pode ser realizado sem axé. “Abá” é o propósito, a possibilidade. Olorum usa seu axé para transformar abá em criação. Axé e abá são responsáveis por tudo e todos os seres no cosmo.

Segunda conclusão: o Cosmo é constituído de dois planos: “Aiyê” e “Orun”, respec-
tivamente um plano físico e outro metafísico. Essas duas unidades são representadas tradicionalmente pela cabaça: Orun é a parte de cima, Aiyê é a parte de baixo.

Terceira conclusão: os Orixás e os Ancestrais influenciam a vida dos seres vivos, estão presentes e atuantes no dia a dia, inclusive nos momentos de possessão ou incorporação. Portanto, a divisão entre Orun e Aiyê é puramente simbólica, pois, na prática, não há separação entre Orum e Aiyê.

Quarta  conclusão: o ser humano pode interferir na ordem da natureza, consciente-
mente, através do iwá. O axé  de Olorum estão por toda parte, mas os humanos podem aceitar ou não, podem colocar obstáculos ou realizar a vontade de
Olorum. O caráter dos homens define suas escolhas e seu alinhamento com a von-
tade divina.

Realizar ou não o pré-destino depende da força do axé que cada um
é capaz de mobilizar. O axé pode ser transmitido através de substâncias
materiais (seres e elementos da natureza), lugares (por exemplo, cachoei-
ras, florestas, locais de elevada energia magnética, cavernas, montanhas,
etc.) e objetos (sacralizados através de ritos específicos). 

Deve-se entender que o axé pode ser absorvido e utilizado, mas não tem como ser estocado, por isso é necessária a constante realização de rituais, sacrifícios e oferen-
das: através do sangue negro das folhas, do sangue vermelho dos animais
ou do sangue branco dos igbins (caracóis), da água, da canjica, água de
coco ou bebidas destiladas como a pinga ou o gim; da energia proveniente
dos alimentos (grãos, frutos), elementos minerais (pedras), além do fogo. 
A manipulação ritual de todos esses elementos permite que o axé srenovado nas pessoas. A forma mais completa de manipulação do axé é
através das iniciações.

Iniciação é o processo pelo qual a pessoa recebe Axé, através dos pró-
prios sacerdotes que presidem o ato e devem ter a energia necessária,
objetos, elementos minerais, vegetais e animais. Toda iniciação é um com-
pleto rito de passagem, morte e renascimento: traz novo começo,
transforma as maneiras de pensar, ver, entender e ser no mundo. Nesse
processo, o candidato passa sempre por segregação – ficar recluso por ho-
ras ou dias - e depois volta ao convívio, quando, como novo iniciado, é
apresentado então à comunidade.
Ele é preparado para lidar com as crenças do grupo no qual se insere, suas normas, e principalmente com a questão do transe. Além das mudanças interiores ocasionadas pelo processo, o indivíduo geralmente muda seu status dentro do grupo religioso
a que pertence: passa a ter acesso ou poder realizar atos litúrgicos que
antes lhe eram interditos ou dos quais não tinha o conhecimento perfor-
mático necessário; passa a utilizar símbolos distintivos de sua nova
situação, como colares, vestimentas ou pulseiras. 

O axé é ativado pela conduta pessoal e pelos rituais. A concepção de
Axé se une então à concepção de iwá.

Iwá é o caráter que transforma caminhos ruins em caminhos bons, e
vice-versa. O resultado de um bom caráter é a boa reputação e prestígio
no grupo social. É inevitável entender que o caráter está intrinsecamente
conectado à ética.

Para o africano, prosperidade e felicidade são conceitos subjetivos, que podem variar de pessoa para pessoa, cidade para cidade, família para família. Mas não a ética, que trata dos códigos de conduta e deveres dos indivíduos. Esta é mais precisa e menos subjetiva: matar sempre será matar, não importa sua motivação. Para saber o que é certo ou errado, além do que o grupo social ensina, o individuo conta com seu Ori,
o Orixá interior que sabe o que é melhor e ajuda e dirige.

Doença, fracasso, pobreza, são expressões da presença ou ausência
de axé (força). Axé se conquista com as práticas rituais e se conserva atra-
vés do comportamento adequado (caráter). Sem axé nada existe, mas sem
iwa não há como axé chegar ao Ori.

O tempo é outro componente importante nessa noção de pessoa. 

Ele orienta a experiência de um grupo e do indivíduo neste grupo, orientação 
muito voltada ao passado, às buscas das origens, históricas e míticas.. O
respeito aos mais velhos pode ser explicado pela “anterioridade” no
tempo, quer dizer, aquele que chegou antes está mais próximo das origens,
e por isso mais próximo dos ancestrais. Mas também está mais próximo dos ancestrais em termos de futuro, pois deles se aproxima pelo portal da morte. O tempo mais considerado é o tempo contado a partir da iniciação, a partir do nascimento simbólico no Orixá.


ORIXÁS NA VISÃO DA UMBANDA

A  Umbanda vê o Orixá , divindades que chegaram ao Brasil através, principalmente, dos escravizados de origem Yorubá, como uma energia que existe na natureza, portanto, uma fagulha de Deus.

Orixá portanto, segundo a Umbanda, é a vontade, uma ação de Deus. 

A Umbanda recorre a força dessa magia na natureza para um propósito. 

Toda Linha Espiritual, potência da Umbanda é sustentada pela energia de um Orixá .

Na África existem cerca de 256 Orixás. 

No Brasil, a Umbanda adotou alguns,  que foram sendo fundidos com outros e sincretizados com Santos Católicos.


OXALÁ 

Energia primordial - a Fé

A fé é acreditar sem provas 

O princípio de tudo, o mais velho.

Orixá do Ori - Cabeça 

Chacra Coronário 

Glândula Pineal - Apatita  

Orixá da cura mental 

Qualidades de Oxalá :  fé, paz de espírito, calma, ponderação, união, sabedoria, o divino, congregação.

Reflexão : Em que eu creio ? 

Cidade : Ilê Ifé - cidade africana onde se cultua os Orixás mais velhos, " Orixás Fun Fun " , Orixás que vestem branco.

Sincretizado com Jesus Cristo , Deus Pai, Senhor do Bonfim

Comemoração: 25/12 ou 01/01 

Dia da Semana : Sexta-Feira 

Características dos filhos de Oxalá : líderes, caridosos, sonhadores, amorosos, tímidos, inteligentes. 

Algumas falanges de espíritos que vibram na energia de Oxalá :  Caboclo Pena Branca, Caboclo Toco Branco, Caboclo Flecha Branca, Pai Joaquim de Aruanda, Caboclo do Sol.

Oferenda : louça branca, canjica, arroz doce sem canela em pó, arroz branco sem sal, coco descascado, algodão.

Ervas de Oxalá : Boldo, Alecrim, Rosa Branca, Hortelã

Animais : caramujo, pomba branca

Bebidas : água, água de cocô 

Cor : Branco 

Elemento : ar 

Elementos incompatíveis : álcool, dendê 

Pedras : Brilhantes, Cristal, Quartzo 

Planeta :  Sol 

Saudação: Epa babá ( Obrigado Pai, Salve Pai ) 

Símbolo: Opaxorô 

Orixá sustentador de todas as Linhas de Trabalho da Umbanda. 

Guias Brancas 

Dia da Semana : Sexta-Feira 

Cor : Branca 

Símbolos : Pomba Branca ou Estrela de Cinco Pontas 

Pontos da natureza : Colina, alto de monte ou montanha, praia deserta .


OXUMARÉ 

Representado por uma serpente ou um arco-iris. 

Simbolizado por um caçador de uma única flecha.

Representado pela força das matas . 

Originário da região de Ketu, África, da onde vieram vários escravizados. 

Simboliza o início e o fim de um ciclo, o auto-conhecimento, a dualidade do masculino com o feminino. 

Ligado á Kundalini na visão hindu, a serpente que vitalidade todos os humanos. 

Atribui-se  a Oxumaré a consciência da matéria, da carne, do emocional e o artístico. 

Reflexão : Como eu me renovo ? 

Sincretizado com São Bartolomeu comemorado em 24 de Agosto.

Características dos filhos de Oxumaré : exibicionistas, vaidosos, comunicativos, inclinação para a arte e a cultura. 

Elementos : água doce, arco-íris. 

Símbolo : Serpente ou Arco Iris 

Oferenda  : batata doce, mel 

Ervas de Oxumarê :  Hortelã, Louro, Flores Coloridas, Folhas de batata doce 

Flores : flores do campo coloridas 

Saudação : Arrobobô Oxumarê (Salve o senhor do Arco Iris)

Cores : Rosa , Azul Claro ou Rosa e Azul 

Orixá sustentador da Linha dos Erês juntamente com Oxum

Dia da Semana : Domingo 

Ponto da natureza: Queda d'água na cachoeira

Comemoração : 25 de Agosto 


OXOSSE 

Orixá da caça e do conhecimento.

Ligado a glândula pirituitária .

Qualidades de Oxosse : clareza de objetivos, poder de ação, sede de conhecimentos, expansão, prosperidade. 

No plano espiritual, os Caboclos, linha mantida por esse Orixá, trazem o conhecimento ecológico, a sabedoria da floresta, das frutas e folhas, a favor da humanidade. 

Reflexão : qual é a minha caça ? 

O que é essencial para você ? 

Sincretizado com São Sebastião, comemorado dia 20 de Janeiro. 

Saudação : Okearô ( Salve o grande caçador) 

Oferenda : Diversidade de flores, frutas, folhas e ervas .

Todos os animais são de Oxosse 

Os filhos de Oxosse são : inquietos, destemidos, observadores, dispersos . 

Orixá originário da Região de Ketu, África. 

Elemento : Terra 

Orixá sustentador da Linha dos Caboclos 

Elementos incompatíveis :  cabeça de animal, carne crua, ovos, mel 

Ervas de Oxosse : Alecrim, Guiné, Jurema, Mangueira, Samambaia .

Pedras : Amazonita, Turquesa, Esmeralda 

Cor : Verde Escuro ou Claro 

Símbolo : Arco e Flecha 

Dia da Semana : Quinta-Feira 

Ponto da Natureza : Florestas, bosques e Matas 

Comemoração: 20 de Janeiro 


XANGÔ 

Um dos Orixás mais populares no Brasil ., sendo uma das primeiras divindades iorubanas a chegar em terras brasileiras com os escravizados . 

Em Pernambuco e Alagoas o culto aos Orixás recebe o nome de Xangô.

Representa a decisão, a vontade, a iniciativa, a justiça que não deve ser confundida com vingança. 

Seu machado de dois cortes chamado Oxê é o símbolo da justiça, representando que todo fato, tem ao menos duas versões, dois lados, duas versões que devem ser avaliados e pesados.

Animais : Tartaruga, Carneiro 

Bebida : Cerveja Preta 

Comidas : Amalá, Agebê, Quiabo

Existiu historicamente , Rei Xangô , da Província de Oyo, antigo império Yorubá.

Orixá que guia Egun Guns ( Espíritos de Ancestrais ) para o caminho da evolução, como detentor da justiça divina, dividindo essa missão com Iansã.

Sincretizado com  São João Batista, São Pedro, São Jerônimo e São Judas Tadeu .

Representa o equilíbrio entre a razão e a emoção = discernimento .

O propósito da vida é o que é bom para você. 

Saudação : Kaô cabecilê ( Venham saudar o Rei )  

Orixá sustentador da Linha dos Boiadeiros

Cor : Marron ou Vermelho 

Dia da Semana : Quarta- Feira 

Símbolo : Machado de dois cortes 

Metal : Estanho 

Elemento incompatível :  caranguejo 

Ponto da Natureza : Pedreiras 

Ervas de Xangô : Hortelã , Girassol, Quebra Pedra, Urucum 

Data de Comemoração: 24 de Junho 


OGUM 

O despertar de um novo caminho 

Qual a realidade que você está criando ? 

Quais as minhas batalhas ? 

Não é preciso querer é preciso fazer ! 

Orixá que veio do Irã, África. 

Sincretizado com São Jorge 

Responsável pela Lei e Ordem 

Quem executa a Lei de Ogum : Exu , seu irmão. 

Orixá sustentador da Linha Esquerdária de Exu e Malandros 

Filhos de Ogum : combativos, esforçados, fiéis, comprometidos e disciplinados.

Animais : Cachorro, Galo 

Bebida : Cerveja Branca 

Cores :  Vermelho ou Azul Escuro 

Dia da Semana : Terça-Feira 

Ervas : Espada de São Jorge, Manjericão, Arruda

Flores : Cravos, Crista de Galo, Palma Vermelha 

Metais : Ferro, Aço, Manganês 

Pedras : Granada, Rubi, Lápis Lazuli, Topázio Azul

Ponto na natureza :  Estradas, estradas de ferro, meio da encruzilhada 

Saudação: Ogum iê Patacuri ( Cabeça coroada ) 

Símbolo : Espada 

Comemoração: 23 de Abril 


OBALUAÊ

Vibração jovem  de um mesmo Orixá ou força. 

Filho de Nanã, irmão de Irmão e Oxumaré.

Tem culto original no Domingo. 

Com o rosto e corpo coberto por palhas, para esconder as marcas da varíola ou segundo outras lendas, por que esse Orixá possui o brilho do Sol.

Foi criado por Iemanjá, depois de ter sido abandonado por Nanã, devido a ser feio e coberto de feridas .

Orixá responsável pela evolução dos espiritos, cuja regência divide com Iansã e também pelas almas que ainda não se desprenderam do mundo físico. 

Orixá que leva a doença ou traz e responsável pela transformação de ciclos . Com seu "xaxará" afasta as enfermidades trazendo cura .

Sincretizado com São Roque ou São Lázaro .

Sempre depois do caos a evolução.

Ponto de Força : Cruzeiro das AAlmas ou Cemitério

Filhos de Obaluaê : caridosos, acolhedores .

Sustenta a Linha de Trabalho Espiritual dos Pretos Velhos. Linha das Almas 

Oferendas : Pipoca, Rosas Brancas

Ervas : Manjericão, Arruda, Canela, Hortelã, Cabelo de Milho 

Cores : Bicolor Preto e Branco 

Dia da Semana : Segunda-Feira 

Animal : Cachorro, galinha de Angola 

Comida : Feijão Preto , Carne de Porco, 

Saudação : Atotô 

Comemoração : 16/08 

Elementos incompatíveis : sapo e claridade 

Metal : chumbo 

Pedras : Olho de Gato, Ônibus 

Símbolos : Cruz, Cruzeiro 


OMULU 

Vibração idosa  de um mesmo Orixá ou força. 

Sincretizado com São Roque ou São Lázaro .

Orixá que leva a doença ou traz e responsável pela geração de ciclos .

Ponto de Força : Beira do Mar  

Sustenta a Linha de Trabalho Espiritual dos Pretos Velhos. Linha das Almas 

Oferendas : Pipoca, Rosas Brancas

Ervas : Manjericão, Arruda, Canela, Hortelã, Cabelo de Milho, Alecrim

Cores : Bicolor Preto e Branco 

Dia da Semana : Segunda-Feira 

Saudação : Atotô 

Comemoração : 16/08 


OXUM

A mais jovem das Orixás Femininas.

Senhora das águas doces, dos rios, das águas paradas e não lodosas . 

Filha predileta de Oxalá e Iansã . 

Foi esposa de Oxosse,  Xangô e Ogum .

Energia feminina é a energia do acolhimento dos sentimentos das emoções.

Senhora do Ouro, da Prosperidade, da Fertilidade, do amor. 

Na África existe o Rio Oxum no Estado de Oxum, Sudoeste da Nigéria e um Templo dedicado a ela. Um bosque sagrado, local de peregrinação e Patrimônio Mundial da UNESCO. 

Sincretizada com Nossa Senhora Aparecida 

Comemoração : 12 de Outubro 

Dia da semana : Sábado 

Cores : Amarelo, Rosa, Dourado 

Animal: Pomba Rola 

Sustentadora da Linha das Pombagiras e Erês 

Elementos compatíveis :  banana frita, mel, omolucum, moqueca de peixe, pirão, quindim

Elementos incompatíveis : abacaxi , barata 

Ervas e Flores : Rosas Amarelas, dinheiro em penca, louro, manjericão, narciso, lírio.

Metal : Ouro 

Pedra : Topázio amarelo ou azul 

Ponto de força : cachoeira 

Saudação: Oraieiêo


Iansã ( Oyá ) 

​Orixá guerreira, Senhora dos Ventos, das tempestades dos trovões e também dos espíritos desencarnados eguns conduzindo-o para outros planos, ao lado de Obaluaê.

Divindade do Rio Níger,  representa,  o arrebatamento, o movimento, inquieta e impetuosa

Foi esposa de Ogum e depois a mais importante esposa de Xangô.

 Uma de suas funções espirituais é trabalhar a consciência do desencarnado,  que está a margem da lei para poder então encaminhá-lo outra linha de evolução. 

Animais: Borboleta, Cobra Amarela, Coruja

​Bebida: Champanhe

Chacras: Cardíaco e frontal

Cor: Amarelo e laranja

Comemoração: 4 de dezembro, comemorando o Dia de Santa Bárbara

Comida: Acarajé 

Dia da semana: Quarta-Feira 

Elemento: fogo

Incompatíveis: abóbora rato

Ervas: cana do brejo, erva prata, espada de Iansã, erva de Santa Bárbara

Essência : Patchouli

Dia da Semana: Quarta-Feira

Elemento: Fogo

Incompatíveis: Abóbora, Rato

Ervas: Cana do Brejo, Erva Prata, Espada de Iansã, Erva de Santa Bárbara, Folha de Pitanga. 

Flores: Amarela

Metal: Cobre 

Pedras: Coral, Granado e rubi 

Ponto da natureza: Bambuzal

Saudação: Eparrei 

símbolos: Eruexim e o Raio 

sincretismo: Santa Bárbara, Santa Joana D'arc,  Santa Catarina

Sustenta a Linha dos Baianos . 


Iemanjá

( Iê, Iê Monjá - Mãe de Todos os Peixes ) 

Iemanjá é uma das divindades mais reverenciadas nas religiões de matriz africana, como o Candomblé e a Umbanda. Conhecida como a Rainha do Mar e a Grande Mãe, ela é a orixá das águas salgadas, regendo os oceanos e, por extensão, a origem da vida, a fertilidade e a maternidade.

Juntamente com Oxalá representa a força primordial da Umbanda e mãe de todos os Orixás. 

Ligada ao Rio Yemojá na África. 

  • Mar: É o seu domínio e símbolo de sua força e mistério. O mar representa tanto a calmaria quanto a tempestade, refletindo as dualidades da vida e da natureza.
  • Maternidade: Iemanjá é invocada para proteger a família, assegurar a fertilidade e auxiliar na gestação e parto, sendo o arquétipo da mãe zelosa e acolhedora.
  • Purificação: Suas águas têm o poder de limpar e renovar, levando embora as tristezas e as energias negativas.

Animais: Peixes, Cisne, Pato ou Galinha Branca . 

​Bebida: Champanhe

Chacras:  Básico ( Kundalini ) 

Cor: Azul Claro,  Azul e Branco 

Planeta : Lua 

Características dos seus filhos :  Exigentes, metódicos, maternos e superprotetores . 

Comemoração :  09 de Dezembro, 31 de Dezembro e 02 de Fevereiro 

Oferenda : Champanhe, Manjar Branco, Rosas Brancas

Dia da semana: Sábado  

Elemento:  Água 

Incompatíveis : caranguejo, sapo  

Ervas:  Alfazema, camomila, lágrima de N.Senhora, manjericão branco, erva doce , pétalas branca. 

Essência :  Alfazema 

Flores:  Rosa Branca 

Metal :  Prata, Platina 

Pedras:  Cristais, Pérola, Quartzo Azul, Água Marinha, 

Ponto da natureza : Mar , Oceano 

Saudação: Adoyá

Símbolos:   Abebê , Âncora .

Sincretismo: Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora dos Navegantes . 

Sustenta a Linha dos Marinheiros, Pescadores e Piratas .


NANA BURUQUE 

Nanã Buruquê, a Orixá primordial, é a Senhora da Criação do ser humano a partir da lama. Ela é a essência da sabedoria ancestral, a mais velha dos Orixás, e detentora do poder sobre o elemento primordial: a lama e o barro, que nos remete à máxima: "tu és pó e ao pó voltarás. 

Ela acolhe e transforma o que cessa para que um novo ciclo possa começar.
Nanã é mãe da Morte. Ela transmuta e divide essa força com Omulu . De característica conservadora e  introspectiva.
  • Conservadora: Guarda e protege a tradição e o conhecimento ancestral.
  • Introspectiva: É calada, séria e misteriosa, representando a profundidade do pântano e a reflexão necessária para a sabedoria.

​Nanã é a mais velha dos Orixás do Panteão Iorubá, sendo a própria origem e o mistério.

​Ela foi a primeira esposa de Oxalá, o Orixá da criação, e com ele gerou três filhos Orixás:

  • Tempo (ou Iroko)
  • Obaluaê
  • Oxumaré

​Nanã é a Mãe da dissolução da capa física da terra, e sua presença é sentida na chuva e na garoa. Banhar-se nas águas da chuva é, simbolicamente, banhar-se com os elementos de Nanã, que purificam e preparam para a transformação.

​No tocante à reencarnação, a Orixá Nanã atua envolvendo o ser humano em sua irradiação única, que:

  • Diminui os acúmulos energéticos do ciclo anterior.
  • Adormece a memória de modo a permitir que o espírito ingresse na nova vida sem ser perturbado pelas lembranças anteriores.

​Nanã representa ainda a menopausa, pois rege a maturidade e a idade racional dos seres

Ela simboliza o tempo de introspecção e a sabedoria adquirida ao longo da vida, marcando a fase em que a experiência se torna o principal guia.

Animais :  Coruja, sapo

​Bebida: Licor, vinho , champanhe - todos doces 

Chacras:   Cervical 

Cor:  Lilás ou Roxo 

Planeta :  Saturno 

Características dos seus filhos :  calados, metódicos e sábios

Comemoração :   26 de Julho 

Oferenda : Abalá, Mugunzá, Feijão com coco, Pirão de Batata Doce . 

Dia da semana:   Sábado ou Segunda 

Elemento:  Água 

Incompatíveis :  Ferro, Aço

Ervas:  Manjericão roxo, ipê roxo, canela da velha, dama da noite, folha da quaresma 

Essência : Limão, lírio, narciso, orquídea 

Flores:  Todas as roxas 

Metal :   nenhum 

Pedras:   Ametista, 

Ponto da natureza : Pântanos, brejo, águas-paradas, lama, lago

Saudação: Saluba Nanã ( Salve a senhora da morte ) 

Símbolos: Chuva, ibiri 

Sincretismo:  Santa ' Ana 

Sustenta a linha das pretas velhas e benzedeiras. 

OBÁ

Obá é reverenciada como uma guerreira forte, estrategista e defensora das mulheres. ​Ela é conhecida por sua bravura inabalável, sendo considerada mais poderosa do que muitos Orixás masculinos em combate. Ela simboliza a coragem, a resistência e a força feminina que surge da dor e da superação. Uma das três esposas de Xangô, ao lado de Oxum e Iansã. 

Obá divide o Trono do Conhecimento ao lado de Oxosse, sendo uma sustentadora das florestas e da Linha das Caboclas.

Animais :  Cabra, galinha de Angola.  

​Bebida : Água de coco, Água com hortelã, Água mineral 

Chacras : Chacra Frontal 

Cor:  Laranja, vermelho e branco 

Planeta :  Marte 

Características dos seus filhos :  Ciumentos, leais, fiéis, combativos, disciplinados 

Comemoração :  30 de Maio 

Oferenda : Coco verde, Abacaxi, Morango, Maça, Cenoura 

Dia da semana:  Quarta-Feira 

Elemento: Terra 

Ervas:  Babosa, Alecrim, Manjericão, Urtiga, Folha de Abacaxi 

Flores:  Palma Vermelha, Amor Perfeito, Flores do Campo 

Metal :   Cobre 

Pedras:  Calcedônia, Turmalina Verde 

Ponto da natureza :  Rios com correnteza 

Saudação: 

Símbolos: Espada e Escudo 

Sincretismo:  Santa Joana D ' Arc 









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