LINHA DOS CABOCLOS

 




ASPECTOS HISTÓRICOS

OS POVOS. ORIGINÁRIOS EM 1.500

No Período Colonial, houve muita discussão sobre a origem dos índios: uns acreditavam que eram descendentes das tribos perdidas de Israel, outros duvidavam até de que fossem humanos. Em 1537, o papa Paulo III proclamou a humanidade dos índios na Bula Veritas Ipsa.
Confira na gravura ao lado, do livro de Claude Abbeville, como os europeus, nos séculos XV e XVI, concebiam os nativos brasileiros.
Hoje já se conhece mais sobre as origens do povoamento da América: supõe-se que os povos ameríndios foram provenientes da Ásia, entre 14 mil e 12 mil anos atrás. Teriam chegado por via terrestre através de um "subcontinente" chamado Beríngia, localizado na região do estreito de Bhering, no extremo nordeste da Ásia

As classificações dos grupos indígenas
Para identificar melhor os índios, os colonizadores os classificaram em Tupi (ou Tupinambá) e Tapuia.
Tupis designava os povos que, pela semelhança de língua e costumes, predominavam no litoral no século XVI.Tapuias correspondia aos "outros" grupos. Isto é, aos que não falavam a língua que os jesuítas chamaram de "língua geral" ou "língua mais usada na costa do Brasil", como se expressou Anchieta, o primeiro a compor uma gramática da língua tupi.
Portanto, nunca houve um grupo cultural ou linguístico "tapuia". Este é um vocábulo tupi utilizado para designar os povos de outros troncos ou famílias linguísticas.Essa classificação foi muito importante para o registro das informações sobre os índios produzidas pelos portugueses, franceses e outros europeus. Sem os relatórios dos colonizadores, as crônicas dos viajantes, a correspondência dos jesuítas e as gramáticas da "língua geral" e de outras línguas, quase nada se poderia saber sobre os nativos, sua cultura e sua história.
Os costumes dos tupis ou tupinambás são mais conhecidos por causa dos registros que deles fizeram os jesuítas e os viajantes estrangeiros durante o Período Colonial. O mesmo, entretanto, não ocorreu com os tapuias, considerados pelos colonizadores o exemplo máximo da barbárie e selvageria.
Como viviam os Tupis ou Tupinambás
Os tupinambás moravam em malocas. Cada grupo local ou "tribo" tupinambá se compunha de cerca de 6 a 8 malocas. A população dessas tribos girava em torno de 200 indivíduos, mas podia atingir até 600
Viviam da caça, coleta, pesca, além de praticarem a agricultura, sobretudo de tubérculos, como a mandioca e a horticultura.
A divisão de trabalho era por sexo, cabendo aos homens as primeiras atividades e às mulheres o trabalho agrícola, exceto a abertura das clareiras para plantar, feita à base da "queimada", tarefa essencialmente masculina. O plantio e a colheita, o preparo das comidas e o artesanato (confecção de vasos de argila, redes, etc) eram trabalhos femininos. Instrumentos de guerra - arcos e flechas, maças, lanças - eram feitos pelos homens. Os artefatos de guerra ou de trabalho eram de madeira e pedra, e desta última eram inclusive os machados com que cortavam madeira para vários fins.

O casamento
Entre os tupis, o matrimônio avuncular (tio materno com sobrinha), ou entre primos cruzados, era o mais desejado.
Mas, para casar, o jovem devia passar por certos testes, o principal deles consistindo em fazer um cativo de guerra para o sacrifício.
A guerra e os festins canibalescos
A vida dos grupos locais ou mesmo de "nações" Tupi girava em torno da guerra, da qual faziam parte os rituais antropofágicos. Guerreavam contra grupos locais da mesma nação, entre "nações" e contra os "tapuias".
A guerra e os banquetes antropofágicos reforçavam a unidade da tribo: por meio da guerra era praticada a vingança dos parentes mortos, enquanto o ritual antropofágico significava para todos, homens, mulheres e crianças, a lembrança de seus bravos. O dia da execução era uma grande festa.
Nos banquetes antropofágicos, o prisioneiro era imoblizado por meio de cordas. Mesmo assim, para mostrar seu espírito guerreiro, devia enfrentar com bravura os seus inimigos, debatendo-se e prometendo que os seus logo reparariam a sua morte.
Os índios reagiram de formas diversas à presença dos colonizadores e à chegada de invasores, como os holandeses e franceses. Veja abaixo algumas das formas de reação.
Alianças com os colonizadores
O apoio indígena foi decisivo para o triunfo da colonização portuguesa.
Com este apoio, entretanto, as lideranças indígenas tinham seus próprios objetivos: lutar contra seus inimigos tradicionais, que, por sua vez, também se aliavam aos inimigos dos portugueses (franceses e holandeses) por idênticas razões. Abaixo estão exemplos das alianças com os portugueses:
guerreiros temiminós liderados por Arariboia se aliaram aos portugueses para derrotar os franceses na baía de Guanabara, em 1560, que recebiam apoio dos Tamoios.
chefe tupiniquim Tibiriçá, valioso para o avanço português na região de São Vicente e no planalto de Piratininga, combatia rivais da própria "nação" Tupiniquim e os "Tapuias" Guaianás, além de escravizar os Carijó para os portugueses.
o chefe potiguar Zorobabé, na Paraíba e Rio Grande do Norte, aliou-se aos franceses, em fins do século XVI, e aos portugueses, tendo sido recrutado para combater os Aymoré na Bahia e até para reprimir os nascentes quilombos de escravos africanos.
o potiguar Felipe Camarão, a mais notável das lideranças indígenas no contexto das guerras pernambucanas contra os holandeses no século XVII. Camarão combateu os flamengos, os Tapuias e os próprios "potiguares" que, ao contrário dele, se bandearam para o lado holandês, recebendo, por isso, o título de Cavaleiro da Ordem de Cristo, o privilégio de ser chamado de "Dom" e pensões régias, entre outros privilégios. Diversas lideranças pró-lusitanas receberiam antes e depois de Camarão privilégios similares, criando-se no Brasil autênticas linhagens de chefes indígenas nobilitados pela Coroa por sua lealdade a Portugal.
Resistência aos colonizadores
Alguns grupos moveram inúmeros ataques aos núcleos de povoamento portugueses. Dentre estes, os Aymoré, posteriormente chamados de Botocudos, foram um permanente flagelo para os colonizadores durante o século XVI, na Bahia.
Entre os episódios célebres de resistência ou represália, ficaram registrados:
o do donatário da Bahia, Francisco Pereira Coutinho, devorado pelos Tupiniquim, em 1547;
o do jesuíta Pero Correa, devorado pelos Carijó, nas bandas de São Vicente, em 1554;
o do primeiro bispo do Brasil, D.Pedro Fernandes Sardinha, em 1556, devorado pelos Caeté, após naufragar no litoral nordestino.
Alianças com invasores contra os colonizadores
"Nações" inteiras optaram por se aliarem aos inimigos dos portugueses. Por exemplo:
os Tamoio, no Rio de Janeiro, fortes aliados dos franceses nas guerras dos anos 1550-60;
os Potiguar, boa parte deles resistiu com os franceses durante algum tempo na Paraíba e atual Rio Grande do Norte, e por ocasião das invasões holandesesas em Pernambuco, onde forneceram auxílio aos flamengos, celebrizando lideranças como a de Pedro Poti e de Antônio Paraupaba.

Tupi: espalhavam-se por toda a costa atlântica e várias áreas do interior
Jê ou Tapuia: viviam no Planalto Central brasileiro;
Aruak: habitavam, na maioria, na Bacia Amazônica;
Karib: ocupavam o norte da Bacia Amazônica.
Línguas faladas do tronco do Tupi e Jê

O PROCESSO DE COLONIZACAO
A “ Reconstrução “ da memória coletiva indígena pelos portugueses
A troca de conteúdo indígena : canibalismo, poligamia, nudismo, politeísmo
Por conceitos católicos :
Deus único,
Diabo como representante do Mal.
Noção do que é pecaminoso, adoração aos Santos e a Virgem Maria.
A CATEQUESE DOS JESUITAS
“ Doutrinados, os indígenas começaram a vestir-se, por que ainda que seu natural fosse andar nú, já agora todos que creram na doutrina dos padres, andam vestidos e tem pejo de andarem nús . “
( Padre José de Anchieta )

Jesuítas x Bandeirantes
"Ao longo de seu processo de instalação em terras brasileiras, Portugal teve que superar diversos empecilhos que tornavam a formação de regiões economicamente produtivas em uma árdua tarefa. Para tanto, teve que contar com a iniciativa de hábeis representantes de seu projeto, de índios que auxiliavam no reconhecimento do ainda desconhecido território e da própria Igreja Católica, que participou ativamente no desenvolvimento dos primeiros centros de colonização."
"Particularmente, a participação dos membros da Igreja aconteceu por meio da formação da Companhia de Jesus, que foi designada para garantir a instalação do cristianismo católico nas Américas. De fato, vários padres tiveram importante papel nessa tarefa, chegando até mesmo a desbravarem outras localidades onde nem mesmo os portugueses tinham a condição de sozinhos estabelecerem o domínio metropolitano. A associação entre Igreja e Estado era bastante ativa nesse período.

Em sua trajetória, as missões jesuíticas encamparam uma grande população de indígenas que ganhava educação religiosa em troca de uma rotina de serviços voltados à manutenção desses próprios locais. Com o passar do tempo, algumas dessas propriedades clericais passaram a integrar a economia interna da colônia com o desenvolvimento da agropecuária e de outras atividades de extrativismo. Dessa forma, conciliavam uma dupla função religiosa e econômica.

Enquanto essa situação próspera se desenhava no interior da colônia, os proprietários de terra do litoral enfrentavam grandes dificuldades para ampliar a rentabilidade de suas posses. Um dos grandes problemas esteve ligado à falta de escravos africanos que nem sempre atendiam à demanda local e, ao mesmo tempo, possuíam um elevado valor no mercado colonial. Foi daí então que os bandeirantes começaram a adentrar as matas com objetivo de apresar e vender os índios que resolveriam a falta de mão-de-obra.
Com isso, a rivalidade entre bandeirantes e jesuítas marcou uma das mais acirradas disputas entre os séculos XVII e XVIII. Vez após outra, ambos os lados recorriam à Coroa Portuguesa para resolver essa rotineira contenda. Por um lado, os colonizadores reclamavam da falta de suporte da própria administração colonial. Por outro, os jesuítas apelavam para a influência da Igreja junto ao Estado para denunciarem as terríveis agressões dos bandeirantes.
De fato, essa atividade gerou um bom lucro aos bandeirantes que se dispunham a adentrar o interior à procura de nativos. Contudo, a resistência destes e o risco de vida da própria atividade levaram muitos bandeirantes a organizarem ataques contra as missões jesuíticas. Afinal de contas, ali encontrariam uma boa quantidade de “índios amansados” que já estariam adaptados aos valores da cultura europeia e valeriam mais por estarem acostumados a uma rotina de trabalho diária.

Tradições Religiosas
O desgaste causado por essas disputas só foi resolvido com as ações impostas pelo marquês de Pombal. Primeiramente, decidiu determinar a expulsão dos jesuítas do Brasil por estes imporem um modelo de colonização alheio ao interesse da Coroa. E, logo em seguida, determinou o fim da escravidão indígena e a formação de aldeamentos diretamente controlados por representantes da administração metropolitana."
Indígenas

De uma maneira geral, as Tradições
Religiosas Indígenas são:
• Animistas
• Totemistas
• Xamanistas
• Ritualistas

Na mitologia “Guarani”, a “Terra sem
Males” faz referência ao mito de uma terra
de felicidade, lazer eterno, imortalidade;
onde não há guerras, fome, doenças e
necessidade de trabalhar.
• Esta espécie de paraíso seria o “Lar” dos
guerreiros autores de grandes façanhas;
mas ele também estava ao alcance dos
vivos, em algum lugar que poderia ser
encontrado.
• O mito foi um dos principais instrumentos
de resistência utilizados pelo povo
“Guarani” contra o domínio dos espanhóis
e portugueses.

Animismo: Primeira Ideia sobre o Transcendente
O homem primitivo acreditava que os animais, as
plantas, os rios, as montanhas, o sol, a lua e as estrelas
continham espíritos.
• Esses elementos da natureza e fenômenos da vida
eram forças que o homem não conseguia dominar. Aos
poucos, foram tratadas como divindades. E era
necessário agradá-los com sacrifícios e oferendas.
Exemplo: Adoração ao Sol.
• Com o tempo, foram sendo atribuídos nomes às forças
da natureza e aos fenômenos da existência humana;
dando inicio ao POLITEISMO. Exemplo: Rá (Deus Sol)

As primeiras manifestações religiosas são baseadas no medo,
no pavor, nos mitos e na crença em castigos por parte das
divindades.
• Os fenômenos da natureza, do universo e da vida eram
interpretados como vozes dos deuses: trovoadas, chuva,
doenças, germinação das plantas, estações dos anos, astros
etc.
• MAGISMO: Pelo poder do líder espiritual, se consegue da
divindade algum favor. Usam-se palavras, gestos, coisas,
objetos e orações. Pode ser magia branca (BEM) ou Magia
negra (MAL e VINGANÇA)
• TOTEMISMO: O totem é o animal ou planta que deu origem à
determinada tribo. Esse animal ou planta tornam seus
protetores. Não podem ser mortos ou destruídos
Xamanismo
Prática ancestral que busca estabelecer uma ligação
com o Sagrado (Natureza)
• É um conjunto de rituais muito antigos: danças,
músicas, uso de substâncias psicoativas encontradas
em ervas; e palavras usadas para evocar espíritos
aliados.
• O Xamanismo remonta aos primórdios da
humanidade: vários povos, cada um à sua maneira,
buscavam em elementos da Natureza uma conexão
com algo superior.
• O Xamanismo antecede todas as tradições religiosas.
Há vestígios de práticas xamânicas em diversos
credos: a defumação nas cerimônias católicas, o
banho de ervas no candomblé, o passe no espiritismo,
a meditação no budismo, etc.
A palavra “Xamã” vem de “saman” (russo):
Aquele que conhece.
• Xamã é o sacerdote responsável pelos poderes
sobrenaturais que se manifestam sobre
determinado grupo de seguidores. Ele ainda tem
a função de evocar espíritos e precisa conhecer a
natureza em sua amplitude para que possa
praticar a cura.
• Os Xamãs podem ser homens ou mulheres. A
função pode ser hereditária.
• Conhecer tudo que envolve o processo e o
mistério da vida é essencial à formação de um
Xamã: saber a função dos quatro elementos da
Terra (ar, fogo, terra e água), a formação
planetária e o uso de cada ser vivo, seja animal
ou vegetal, para a cura.

Características
do Xamanismo

Substâncias psicoativas: Para expandir a
consciência, muitos grupos bebem, mastigam
ou fumam ervas psicotrópicas.
2. Rituais de dança e música: No Nordeste,
tribos como os “Potiguares” mantêm o ritual
do Toré para se ligar aos “encantados”.
3. Defumação e incenso: Rituais de purificação e
limpeza geralmente envolvendo defumação
de um local ou de uma pessoa; e queima de
incenso e de ervas. No Canadá, há povos que
queimam cedro enquanto oram pelo “grande
espírito”.
4. Ervas que curam: Combate a doenças por
meio de “plantas de poder”.
No Brasil, o Xamanismo está
presente nas manifestações
indígenas:
1. As tribos indígenas brasileiras
utilizam-se dos cânticos, das
danças, dos instrumentos
musicais e das substâncias
psicoativas para se comunicar
com os ancestrais e afastar
espíritos malignos.
2. A figura do Pajé.

Ritualismo
Os Rituais estão relacionados aos mitos.
Nas Comunidades Indígenas, o Rito
fundamenta toda a realidade, define a
organização da vida social e é fonte de
memória e conhecimento. Há Rituais:
1. Celebração do fim das estações da chuva
ou seca.
2. Comemoração da chegada das colheitas.
3. Vitórias em guerras com outras tribos.
4. Nascimento de crianças
5. Iniciação ou “Passagem” para a vida
adulta dos jovens.
6. Casamento, etc.

Ritualismo no
Brasil
Krahô (Povo Timbira do Tocantins):
Corrida de Toras.
• Esporte de revezamento realizado por
tribos indígenas; no qual cada corredor
da equipe deve correr um determinado
percurso, carregando nos ombros ou nas
costas uma Tora (tronco de buriti).
• A Comunidade divide-se em duas
equipes, ditas "metades". Cada equipe
carrega um troco cujo formato, tamanho
e ornamentação são variáveis; podendo
pesar 200 kg.
• Pode ser uma prova matrimonial.

LINHA DOS CABOCLOS

Caboclos e Caboclas são os reais donos desta terra, os nativos .

Inspiram :

* Respeito ao divino

* Respeito a natureza

* Respeito a hierarquia

* Compromisso Familiar

* Determinação

* Simplicidade

É comum nessa linha encontrarmos trabalhos e rituais com muitas ervas para vários objetivos ( chás , banhos, bate-folhas, amaci ) .

Por serem de grau evolutivo altíssimo, normalmente estão a frente de terreiros.

Perfil dos espíritos :

* Indígenas nativos 

* Religiosos 

* Alquimistas 

* Curandeiros 

* Xamãs 

Espíritos antigos e sábios, ligados de alguma forma aos valores da cultura indígena brasileira . 

FALANGEIROS

Os caboclos e caboclas são a "linha de frente " dos Orixás. 

Os seus representantes primordiais .

Destinou-se a patronidade Linha dos Caboclos para Oxosse.

Entretanto algumas linhas de Umbanda aceitam a vibração de outros Orixas para determinar falanges de Csboclos :

Exemplo : Caboclo de Iansã , de Xangô de Ogum .

Saudação: Okê Caboclo - Aquele que está acima 


FREI GABRIEL MALAGRIDA E O CABOCLO DAS 7 ENCRUZILHADAS

Um médium vidente perguntou:
“Porque o irmão fala nestes termos, pretendendo que a direcção aceite
a manifestação de espíritos que, pelo grau de cultura que tiveram,
quando encarnados, são claramente atrasados”? Porque fala deste
modo, se estou vendo que me dirijo neste momento a um jesuíta e a sua
veste branca reflecte uma aura de luz? E qual o seu nome, irmão?
- "Se querem um nome, que seja este: sou o Caboclo das Sete
Encruzilhadas, porque para mim, não haverá caminhos fechados. O que
você vê em mim, são restos de uma existência anterior. Fui padre e o
meu nome era Gabriel Malagrida. Acusado de bruxaria fui sacrificado na
fogueira da Inquisição em Lisboa, no ano de 1761. Mas em minha última
existência física, Deus concedeu-me o privilégio de nascer como
caboclo brasileiro." (…)

O grande projeto de Gabriel Malagrida era o de se tornar missionário.
Aos 31 anos partiu de Génova para o Brasil, onde viveu por 30 anos, e
nunca mais retornou a Itália. Admirado por índios, sertanejos e
caboclos, dedicou a sua vida às classes marginalizadas e aos
“excluídos” do Brasil. Era muito conhecido na sua época quer no Brasil,
quer em Portugal e nas Colónias como o “Fazedor de Milagres”. Quando
chegou ao Maranhão, envolveu-se no trabalho pedagógico e
educacional que os Jesuítas faziam há já quase 180 anos, na longa
tradição que vinha de Manuel da Nóbrega, Anchieta e António Vieira.
Havia a necessidade de ensinar a ler e no Maranhão foi professor de
Teologia e Literatura por mais de 7 anos.
Em simultâneo Malagrida estudava línguas indígenas, pois sonhava
estar entre os Índios. Pretendia que a evangelização e catequização
dos mesmos fosse feita longe das cidades grandes o que muito
incomodava o Clero. Na cidade qualquer coisa servia para provocar
desacatos e para escravizar os Índios, e como a Igreja se encontrava
subordinada ao Estado Português, alguns missionários aproveitavam
para exercer de forma indiscriminada o seu poder. Malagrida tentava
evitar isso a todo o custo.
Os Índios sofreram muito com a chegada dos Europeus, perdendo
terras e sendo escravizados, mas quando um missionário era contra a
escravatura tornava-se inconveniente e era expulso. Assim
aconteceu com António Vieira. A Companhia de Jesus (de Coimbra,
Évora e Salamanca) foi fundamental para estes Jesuítas, que
apoiados nas teorias de Tomás de Aquino, respeitavam mais o povo.

“(…) Todas as entidades serão ouvidas, e nós aprenderemos com
aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos aqueles que
souberem menos e a nenhum viraremos as costas e nem diremos não,
pois esta é a vontade do Pai. (…)”.
“(…) Com paz, saúde e felicidade, com humildade, amor e caridade, sou
e serei sempre o humilde Caboclo das Sete Encruzilhadas. (…)”.

FONTES : João Maria Medeiros




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